29 março 2010

Vou mergulhar no teu amarelo...

(Eu, jogada na plantação de granola (ops! canola! já me corrigiram nos comentários), típica da primavera daqui, Malmö, maio 2008)

Sempre que me imagino velhinha, lembrando dessa época que vivi na Suécia eu penso que me lembrarei do seu amarelo...

Do quanto desejei me jogar uma, duas, milhares de vezes em suas plantações amarelinhas do início da Primavera...

Me lembrarei de um amarelo intenso tal qual eu nunca havia experimentado antes...

E experimentar esse amarelo significa experimentar uma sensação repleta de emoções... Não dá para passar sem notar, não dá para passar sem que dentro da gente o coração sorria...

Não há tristeza que sobreviva ao amarelo radiante de energia e luz...



(Eu, curtindo a vida em amarelo, em Landsrköna, em 2009, nos raps na, ainda grávida do Ângelo, Malmö,em 2007, Ângelo em piquenique em frente de casa e os girassóis do casal de amigos poloneses que vivem numa fazenda, ambos em 2009)

Inspirada pela idéia da Glorinha, que conheci através da colorida Lilla, resolvi selecionar de meu acervo de fotos pessoais, algumas fotos das milhares que tenho com tons amarelos...

Tentei lançar meu olhar para aquilo que já vivo e ver nele o que já há do colorido amarelo.

Nas fotos seleiconadas vejo coisas simples, onde a cor e a alegria na verdade estão sempre presentes, embora meu olhar não as tenha percebido.


(As mangas amarelinhas e doces do quintal da minha avózinha, sendo dadas por ela ao Ângelo, Brasil, 2010, e eu grávida do Ângelo, 2007)

E penso que todos os dias, ou quase todos, a energia amarela está ali... mas é só o olhar que pode tomá-la para dentro...
Se o olhar está desviado demais com cinzas e escuros o amarelo ficará num tom sujo... pálido...

Adorei a idéia do post porque eu, particularmente, não consigo viver sem a presença de cores... Minha casa está repleta delas, meu trabalho, minhas roupas, a comida...

E em dias amargos e sombrios nada melhor que tentar receber todas as vibrações que a natureza nos dá, como sabiamente fez a Glorinha. Ao invés de focar o escuro, girar o olhar para o colorido e ver que há vida, apesar de naquele momento a vida parecer estranha para a gente.

Nessa segunda-feira amarela desejo à Glorinha e para vocês que aqui passam que seus dias de escuridão (se os tiver) passem logo e que a energia que ela tem buscado na blogagem coletiva de cores se derrame como um punhado de tinta colorindo sua casa, suas coisas, sua família, sua alma.

28 março 2010

Horário novo de verão aqui e vocês fazendo gracinhas aí!

(Por trás de um grande craque, sempre existe uma...: "Ângelo, o craque da bola, mostrando todo seu talento em frente de casa, verão, Malmö, maio, 2009)


Acordamos já atropelados, com o marido atrasado para o futebol.

É porque essa noite começou o horário de inverno europeu (nós adiantamos o relógio em 1 hora) e agora a diferença do fuso são de 5 horas com o Brasil.

Não parece piada de mal gosto dizer que começou o horário de verão aqui, onde minha manhã está com 7 graus, e vocês aí curtindo praia, num quase fim de verão, a 30 e tantos graus?

Bom, a verdade é que nosso verão é medido pela chegada do sol com claridade e os dias mais longos. E o nosso dia tem começado muuuito iluminado já lá pelas seis da matina. Daqui 2 meses teremos aqueles dias começando as três da manhã e acabando as onze e meia da noite. Vocês se lembram?

Eu me lembro! E não vejo a hora do meu sol da meia noite chegar! Isso porque com a Primavera, o verão, o sol e um baita calor de 20 graus o bicho pega na praia, nos parques e nos campos de futebol em frente de casa...

Daí é só atravessar a rua para a farra começar... como começava no verão passado, como vocês podem conferir nesse videozinho caseiro que fiz do Ângelo aqui, quase 1 ano atrás.

Eu ainda vou fazer inveja pra vocês! Pode deixar!

Por enquanto ótimo domingo de praia, sol, cerveja e churrasco aí, enquanto a gente se contenta com a mudança do relógio por aqui...

...

ps: Não esqueci de jeito de nenhum que tenho que fazer o sorteio da tela para quem mandou comentário no post do meu aniversário e também que finalizar a sessão dos posts "Good morning sunshine". Só não deu mesmo tempo até agora, já que eu e Ângelo pegamos uma baita gripe, ele pior, e estamos meio de molho... Sorry! Eu já disse que sempre tardo, mas não falho...


25 março 2010

Navego porque quero e porque querer é preciso

Click to play this Smilebox collage: Rectangle Collage Angelo painting


A Ana Flávia, uma simpática goiana que vive na Aústria e escreve sobre isso no Europrosa, me disse ontem num comentário, que acha legal eu não viver só em função da gravidez e sustentar um outro lado da Somnia que não só esse de mãe.

Eu já falei muitas outras vezes (como aqui e também aqui) da minha "luta" particular para tentar fazendo coisas com as quais eu me sinta valorizada, como as que eu fazia antes de ser mãe e estar morando aqui na Suécia (professora, pesquisadora, pintora, filha, amiga etc), nessa experiência temporária.

Fato é que eu não acho que nós consigamos muito sustentar essa "Somnia antiga" quando temos filhos. A verdade é que eles nos consomem. De um lado fantástico, porque eles são tão interessantes, tão vivos, tão cheios de vida que é fácil esquecer aniversários dos amigos, é fácil se desligar de atividades as quais fazíamos antes de sua chegada.

Não é fácil se interessar por outra coisa que não seja os filhos e essa é uma verdade fácil de constatar quando vemos os amigos que têem filhos recentemente. Demora para sairmos da bolha... Isso porque ter filhos é bom demais.

Por outro lado, também porque eles exigem e demandam tanta atenção, tanta responsabilidade, tanto cuidado que por mais que amemos estar com eles eu sinto que qualquer pai e mãe precisa respirar sem eles. E quem não respira ou enloquece ou vira um chato e chata de galochas.

Precisa manter algumas esferas da vida que não seja só a paternidade e a maternidade.

Aqui em casa nós temos um trato assim: quando temos alguma oportunidade de sair com amigos e amigas um fica em casa com o pequeno Ângelo para o outro ter esse momento.

Se dá, a gente traz os amigos todos em casa, celebra algo especial ou inventa algo para celebrar. E isso é o que normalmente fazemos, já que não é tão fácil na Suécia sair em dois, por conta da falta de gente para ajudar com a criança.

Desde que o Ângelo nasceu, quer dizer, depois de alguns meses que o Ângelo nasceu já que os primeiros foram mesmo suuuper difíceis até nos acertarmos, nós temos sempre gente em casa. Tem festa, tem churrasco, tem dança, tem alegria. E o Ângelo ama isso como a gente. E adora ter amigos chegando, comendo, conversando. Aprendeu cedo que os pais são mais que só os pais, por mais que ele nos trate como sendo exclusivos dele.

Acho que isso também ajudou a manter nele toda nossa brasilianidade (é assim que se fala? esqueci!), apesar dele frequentar escolinha sueca e falar sueco todo fluente.


("As cidadEs", tela que o Ângelo pintou semana passada, enquanto eu pintava outra, e fez questão de dar ele mesmo o nome, Malmö, março de 2010)


Ontem, enquanto eu dava o meu super-mega-blaster-workshop lá na Sony Ericsson, pela segunda vez, eu pensei algumas vezes no Ângelo. Saí muito tarde e o Renato pegou-o na escola e minha amiga Liana ficou com ele e sua Gigi até nós voltarmos com todo o meu material de micro empresária no carro.

Eu estava tranquila. Meu filho estava em boas mãos. Excelentes pra ser sincera! Ao mesmo tempo pensei nas amigas no Brasil que precisam trabalhar diariamente oito, nove horas por dia e praticamente não vêem seus filhos. Não são elas que cozinham pra eles, dão banho, e as vezes nem colocam para dormir. E pensei que deve ser muito triste. Ao menos seria muito triste para mim.

Nessa realidade aqui, onde eu pude tirar esses anos para estar meio lá, meio cá, entre a materniade e algumas poucas coisas que amo fazer, eu sinto que eu perdi algumas coisas, como me manter atualizada no mercado de trabalho e nas pesquisas, mas eu acho incrível ter curtido esse lado da materniade de um jeito tão intenso. Ainda que eu não negue o quão cansativo seja, eu acho que não tem preço ter curtido essa fase do Ângelo e talvez desse novo que virá assim tão de perto... Eles crescem rápido e eu posso logo voltar à minha mais ou menos antiga vida.


Click to play this Smilebox collage: Painting time


Sobre o workshop de ontem... Foi tudo muito bom! Realmente um sucesso. Na verdade era um mega evento da empresa e eu estava lá entre muitas outras atividades que os grupos faziam.
Coordenei uma atividade de pintura incluída com outras idéias para umas noventa e poucas pessoas. A maior parte suecos, mas também vários estrangeiros que aqui vivem.

Ainda é um desafio para mim ensinar em inglês e não em português, mas estava ok, embora eu queira melhorar muito ainda. Eles gostaram e se enfiaram nas tintas e tal...

Entretanto, agora que sou uma pessoa (empresa) séria, que inclusive tem um trato de sigilo com eles, eu não posso falar mais do que rolou. Não posso postar fotos, nem nada, afinal trata-se de um treinamento interno... mas posso dizer o quanto foi bom para mim estar lá, falar para uma platéia gigante, ensinar um pouco do que sei, trazer arte e um pouco de filosofia para a realidade de uma empresa. Fantástico!

Foi muito intenso. Suuuper cansativo... No fim do dia sentei com minha barriga de grávida, morta de cansada... E graças a Deus tinha lá meu Renato para ajudar a carregar coisas e um jantarzinho da amiga Liana acompanhado de bolo de banana. Nem eu mereço tanta amizade e carinho!

Então, só para responder melhor: Ana Flavia, ser mãe do Ângelo está entre as melhores, se não a coisa mais fantástica que me aconteceu até hoje (é difícil dizer), mas como tão mãe que me sinto hoje em dia, eu sei profundamente o quanto preciso sentir-me valorizada por tudo que aprendi até hoje. Pelo que fiz durante 35 anos (talvez o fato de ser mãe mais tarde ajude a não ser focada só na maternidade) antes de ter o Ângelo. E tudo era muito importante pra mim. Ainda é.

Não é fácil cuidar de casa e dos filhos diariamente, horas e horas, fazer e refazer, fazer e refazer sem ter alguém que bata no seu ombro e diga: "Bom trabalho minha cara!", "Você é muito boa no que faz!", entende?

Talvez muita gente não precise disso. Eu sei que faço um bom "trabalho" porque vejo a alegria, a saúde do Ângelo e sei qual o suporte que acabo dando aqui para o Renato, mas eu preciso de mais. Sempre precisei. Sempre fui em busca desse algo mais para mim que não fosse ser o casamento (aliás eu nunca pensei em me casar, até mais ou menos uns 23 anos e em ter filhos até os 30 e poucos).

("E como chama essa Ângelo? "A cidadi". Tela feita na sequência de "As cidades", Malmö, março de 2010)

Hoje eu sei que o casamento é tão importante quanto ser mãe, assim como é importante o que eu sou em tudo isso. Pela mesma razão eu faço questão de que meu filho entenda que, embora eu não saia para trabalhar todos os dias como o papai dele, eu trabalho em casa.

Trabalho quando digo que vou limpar a casa assim como quando cozinho para ele. Trabalho quanto vou para o ateliê pintar alguma tela ou uma cadeira ou o que seja. Trabalho quando vou para a escola estudar sueco. Trabalho quando escrevo um texto. Entende? Se tudo o que sou e faço tem valor para mim e estou convencida disso (embora no Brasil só picando cartão a gente tenha "valor" para a maior parte das pessoas) eu preciso passar isso pra ele.

Não o forço a nada, mas se ele me vê no ateliê quer "tábalhá" e fazer um "tábalho" com a mamãe... E ele se sente orgulho disso! Então sinto que posso despertar nele essa inteligência emocional importante a qualquer pessoa, mesmo que ele escolha ser qualquer coisa um dia...

Hoje tenho ciência do quanto este blog me ajuda a manter todas as Somnias das quais eu necessito para me sentir completa. Foi e tem sido uma forma de eu não esquecer quem sou, para além do que estou fazendo no momento.

Eu tenho absoluta certeza de que manter nosso eu para além dos diversos papéis que executamos todos os dias não é nada fácil, mas é preciso.

24 março 2010

Aguenta aí...

(Ultrassom lateral da segunda criança que estamos esperando, 13 semanas)

Gente, preciso falar muuuito rápido...
Estamos quase saindo e vou lá para meu workshop de cem pessoas! Aiaiai que frio na barriga...

O ultrassom foi muito legal. Vimos nossa segunda criança toda dançando dentro de minha barriga e numa pose de folgadinha, literalmente sentada no meu útero mexendo os pezinhos.

Foi até entraçado voltar depois de uma reunião dirigindo e imaginá-la sentadinha ali comigo... Eu ri sozinha de alegria...

O resultado foi ótimo: o neném parece perfeito e os riscos descartados. Não precisarei fazer nenhum exame extra, já que ela disse que está tudo normal.

Ficamos tão felizes lá de ver aquela coisinha toda cheia de vida que o fato da simpática moçca que fazia o exame dizer que não dá para ver o sexo ainda e que só irão verificar isso daqui ha 4 semanas, não nos deixou triste. Eu não sei se vocês aí no Brasil conseguem saber mesmo antes. Aqui ela nem cogitou mesmo começar a olhar o sexo agora... No caso do Ângelo eu soube com apenas 8 semanas, porque fiz um exame diferente que checa o cromossomo a partir do sangue.

Mas se eu achava que não saber o sexo seria frustrante, pelo contrário, percebo agora que minha ansiedade era só mesmo de ver se tudo estava ok e de ouvir isso da médica (ou enfermeira-parteira, como foi o caso ontem).

É isso! obrigada pela empolgação! O palpite para menina ganhou na enquete rápida de ontem, mas como todos vocês mesmos disseram: venha o que vier... eu estou aqui...

Beijos e ótima quarta-feira! Preciso irrrrrr....

23 março 2010

Enquete: menino ou menina?


Pessoar,

A Lu sugeriu no comentário que vocês pudessem dar palpites quanto ao sexo do neném, o qual a gente vai saber hoje no exame de ultrassom... Aliás, assim esperamos!

Fiz uma enquete ao lado para a gente brincar junto então, já que de curioso todo médico e doido tem um pouco, rs...

Então, do alto direito do blog, você pode palpitar se eu tô chocando uma menininha ou um menininho...


Vocês também podem deixar recados se fizerem questão de deixar claro qual foi sua aposta!

Beijos, aqui já acordamos e estou me preparando para ir lá daqui a pouco...

A votação acaba as 16 horas de hoje daí do Brasil.

22 março 2010

Menino ou Menina?



Gente boa,

Andei e ando ocupada com o workshop que será na quarta agora.
Andei e ando ansiosa com isso, mas mais ainda com o ultrassom que farei amanhã de manhã.

Com ele saberei muito sobre a saúde do bebê e também seu sexo.
Na Suécia é bem comum que as mulheres esperem até o nascimento da criança para saber o sexo. Aliás, quando cheguei eu achei que fosse a maioria, porque só conhecia mulheres que não queriam saber se estavam grávidas de meninos ou meninas. Agora vejo que há muitas que querem saber antes, tal como eu.

A idéia de não saber o sexo vem de que haveria um desejo oculto e preferência por esse ou aquele gênero. E isso, aos olhos de muitos, é um preconceito antes mesmo da criança nascer.

Eu respeito. Acho que é sim horrível quando uma criança nem sequer tem o direito de ser aquilo que é. No meu caso, estou mesmo curiosa, assim como estive na primeira vez, porque saber o sexo me ajuda a estabelecer um elo com a criança. Tratá-la como aquilo que ela é... Não como "o bebê", que me parece um tanto distante demais.



Saber se é menina, menino, pensar seu nome e como está crescendo aqui dentro agora. Pensar como será nós quatro juntos, me ajuda a começar essa relação agora pra mim é muito mais importante do que se o bebê é menino ou menina.

Pra mim ele ou ela já é uma pessoa com quem quero estreitar ainda mais esse relacionamento que já comecei.

Agora mais que isso eu estou mesmo é aflita para passar esse período de mais incertezas. Saber se tudo está bem, se o bebê cresce saudável é o que me deixa mais na expectativa.

De qualquer jeito, como estou de 14 semanas, espero ter também o sexo amanhã... a não ser que a criaturinha resolva fechar as pernas!

19 março 2010

"I dreamed a dream"

(O cartão com declaração de amor e as flores coloridas que Renato me trouxe ontem e que me deixam sempre com aquele baita sorriso no rosto, Malmö, 2010)


Eu sempre considerei que o dia 18 de março fosse o meu dia. Desde pequena.
Me lembro que com uns nove, dez anos, só de olhar o conjunto que forma o dia, o número 18 e o mês escrito assim "março" ou assim "03" eu ficava toda cheia de mim. Vinha uma felicidade interior estranha, inexplicável.

Eu não sabia direito do que, nem porquê eu me sentia orgulhosa, mas acho que com a idade eu comecei a compreender melhor.

Eu tinha um orgulho de mim mesma. De eu ser. De eu existir. Entende?

Era como nos sonhos de meninas em que o conto não seria completo se a gente não estivesse nele. Então, o 18 de março sempre representou esse dia em que eu vim ao mundo e quando ele se tornou um pouco mais especial. Acreditava eu.

Eu até mesmo era capaz de ver a cena que, na verdade, eu nunca presenciei: minha mãe, jovenzinha de 17 anos, numa cama de hospital, as enfermeiras, um fundo musical que não me permitia ouvir os gritos, mas ver os gestos. Ela berrava de dor, enquanto alguém tirava dela sua primeira filha. E eu era capaz de vê-la se emocionar ao me receber em seu colo.

Então, mas o tempo passa e a gente cresce. E também muda. Se torna menos sonhadora e mais realista. Acredita menos que pode revolucionar o mundo com suas próprias forças, acredita menos nas pessoas e menos que os sonhos se realizem tão facilmente.

No meu caso, trinta e nove anos se passaram, e eu mesma me esqueço do tanto de coisas que já fiz, aprendi. Do tanto de gente que conheci e fez parte de minha vida como se nunca mais fossem sair. E como muitos foram embora sem mesmo deixar rastros.

Fato é que desde o dia em que minha mãe me recebeu de presente de seu aniversário (ela faz aniversário hoje, dia 19) eu me dou conta do quanto, apesar de ter me tornado meio amarga se comparado àquela menina sonhadora de décadas atrás, ainda há em mim essa porção tão sonhadora.

Na quarta, véspera do meu aniver, o Ângelo acordou as 4 da manhã e eu fiquei lá esperando ele dormir de novo no escuro. E ouvindo sua respiração me veio na cabeça que eu deveria celebrar meu aniver de forma diferente. Nem sempre se tem 39 e nem sempre se tem tantas coisas para agradecer.

Não sei quanto tempo mais viverei na Suécia e provavelmente o próximo ano será muito mais corrido com um menorzinho (a) para cuidar.

"Quero ir no Cassino!", pensei.

Aqui em Malmö tem um Cassino super bacana. Quer dizer, todos dizem que é bacana. E aqui Cassino é legalizado. Claro que não tão bacana quanto o que eu imaginei no quarto escuro, quando fantasiei quase uma noite em Las Vegas. Sim! Eu sou fã do CSI Las Vegas e fiquei imaginando toda aquela gente, aquela coisa animada, música e a gente se divertindo. É claro que numa quarta feira, em Malmö, o Cassino vai ser quase pacato se comparado ao dos meu sonhos, mas foi demais. Sem contar o glamour que parece que vivemos, minhas amigas sortudas levaram uma grana que pagou todos os gastos da noite. Menos eu. Snif...

E assim foi. Algumas, claro, não puderam estar lá, mas outras amigas super fiéis estiveram. Aquele tipo de gente que se você disser: "Putz tava pensando em dar um mergulho naquele mar de lama ali, mas precisava de alguém pra ir comigo, cê topa? "Claro!" Entende?

E foi assim que comecei as comemorações. Jantando, conversando, brincando. Terminei a noite dirigindo e deixando a última delas, já que grávida não bebe e pode dirigir na Suécia) e voltei naquele meu buááá conhecido dos meus aniversários, quando uma música cuja letra falava algo como "I m damm pround off me!", de sentir um puta orgulho de si mesmo. Eu ouvia e buááá.

É sempre assim. Ou eu choro antes, durante ou depois do meu aniversário. Não passa em branco.

Chorei pensando no Ângelo e no Re que haviam me deixado ter aquele momento pra mim e na criaturinha que está crescendo dentro de mim. Pensei em como as coisas logo mudarão muito de novo! E como isso tudo é importante pra mim, como é um sinal de vida! Choreeeei que nem a menina de 9 anos que chorava no seu aniversário sozinha no quarto.

Lembrei da família querida no Brasil. Desejei saudosamente abraçar mãe, irmã, irmão, sobrinhos, cunhadas, sogros e amigos. E como num conto bom eu voltei pra casa e dormi.

Ainda ganhei ontem bolo de aniversário da amiga Liana que cortamos com as crianças, porque o Ângelo queria cantar "Vie gratuliere" para a mamãe dele. E ainda com direito a presença de minha mãe e, depois, da sogra no skype, quase comendo bolo com a gente.

A noite, flores, abraço e declaração do grande amor da minha vida. Meu companheiro de sempre com quem hoje sairei num jantar romântico, já que consegui uma babá (na verdade uma jovenzinha amiga sueca, a Wendela) para ficar com o Ângelo.

Sem contar tudo isso, a caixa de comentários do Borboleta ontem tava LINDA!!!

Cada recado sincero, cheio de amor e amizade que vocês me deixaram! Que época incrível que vivemos por poder ter gente assim tão próxima, mesmo tão distante!

E mais recados nos orkut e no facebook...

É. "I dreamed a dream..." e ele mais ou menos aconteceu.

Por tudo isso eu me senti de novo dentro do meu sonho de menina. O dia 18 de março continua sendo lindo e especial. E, graças a Deus, que mais um ano eu estive nele para achar que o mundo pode ser mais bonito porque eu também existo.

Nisso tudo só a saudade do meu pai e o desejo de abraçá-lo apertado e dizer coisas que eu sempre quis dizer mas a carrancudice dele não me deixava.

Tudo bem, também nos contos de fadas há momentos tristes e aprendizado a se fazer. Sem eles, a gente continuaria a mesma gata borralheira de sempre.

E mãe: FELIZ ANIVERSÁRIO!!! Obrigada por ter tido a coragem de ter me colocado no mundo e de me criar! Obrigada por ter me passado tanta sensibilidade para ouvir o canto dos pássaros de manhã ou se emocionar com a complexidade de uma flor. Você é parte de tudo que consegui realizar até hoje. Sem você meu sonho, de sentir-me tão especial, não teria sido possível! E hoje, 19 de março, é o seu dia!!!

Por favor também curta-o da melhor forma de puder. Pense em você! Pense em como você é especial e o quanto a gente te ama. O resto mãe, é resto. E deixa para fazer amanhã!


"O Cassino não permite fotos interas, mas imagine que por dentro estamos chiquerrérrimas com vestidinhos fofos...", Liana, eu, Nikol, Ângela e Ju, meu aniver, Malmö, 2010)

(Apesar da saudade das amigas e amigos que deixei no Brasil, eu nunca mais vou poder esquecer as que fiz aqui!) Xu, Liana, eu, Nikol (de 8 meses ) e Ângela meu aniver, Malmö, 2010)


(Nada paga ter amigas maluquinhas! meu aniver, Liana, toda teatral na roda de fora, já que na de dentro não dava para tirar foto, Malmö, 2010)

(E eu, orgulhosa de tanta coisa, inclusive de ter conseguido por um vestidinho novo que me ressaltava a barriga, Cassino Metropolitan, Malmö, 2010)



(E canta parabéns em português e, depois, 4 vezes em sueco, conforme mandam as crianças, Festinha surpresa particular preparada pela Li, Malmö, 2010)


("Assopa mamãe!", Malmö, 2010)


(E ganha beijos e beijos de aniversário, Malmö, 2010)


(O que seria da vida moderna no exterior sem o skype?, minha mãe cantando com a gente na festa intergalática, Malmö, 2010)

17 março 2010

Amanhã é meu aniversário e quem ganha o presente é você! hohoho

("Bolo de Aniversário", Maureen's Painting Blog)

Pessoal, faz um ano já que escrevi um post parecido e pedi, descaradamente, que vocês me mandassem parabéns. E recebi muitos!

Pois é! O tempo passa, o tempo voa... só as minhas rugas não continuam numa boa...

Por outro lado meu descaramento continuo o mesmo. E vou pedir que vocês se manifestem amanhã again! Só que dessa vez, para celebrar mais alegrias, não só as minhas, eu queria receber de cada um de vocês uma resposta à seguinte questão:


Que tipo de coisa consegue lhe deixar realmente feliz?


(As tulipas que comprei ontem e fotografei para o post...)

É claro que todos nós temos uma lista infindável de coisas que nos irritam, nos deixam com aquela cara de bode e triste e coisas que nos põe uma baita sorriso no rosto. Entretanto, a idéia é focar nas boas e em apenas algumas delas. Minha listinha de 5 coisas (não em ordem de importância) e que me fazem bem feliz e sorrir fácil fácil são:

1. Tulipas.
2. O sorriso do Ângelo.
3. Um abraço e afago inesperado do marido.
4. Viajar e esquecer de tudo, até quem sou.
5. Almoço de domingo com a família toda.


(... e o Ângelo enfiando a carinha na frente dizendo: "mamãe tira uma foto minha com a tolipa também!")

Para quem participar eu irei fazer um sorteio de uma pintura feita por mim, mas de pequenino porte, já que terei que enviá-la por correio.

Vocês podem dar até 5 respostas para a pergunta acima e quarta-feira que vem eu dou o resultado do ganhador, a listinha dele e outras três listas que se destacarem entre o restante. Também conto mais do porquê dessa pergunta.

Todos os dias passam por aqui em média 140 visitantes e eu espero receber umas 150 respostas a esse meu pedido feito assim de carinha tombada de lado e com biquinho de: "Ah... diz que vai fazer vai?"

Beijos e obrigada pelo que escreverão!

Good Morning Star Shine, parte 3: são os opostos que se atraem?


(A leitora Marilena, o maridão Sérgio e a linda e sorridente prole: Elena, Luísa e Eduardo)

O dia aqui amanheceu mais quentinho, 4 graus, mas o dia está feio lá fora. Exatamente o contrário do que parece ser o dia da minha conterrânea, também emigrada, Marilena.

Lá em Toronto, no Canadá, o dia amanheceu ensolarado e tem deixado os dias dela radiantes, cheios de uma energia que a gente só conhece quando vive sem sol e luz por meses e meses. Coisas que eu e a Marilena entendemos muito bem e que explica nossa alegria brotando de dentro, quase sem explicação com os números positivos no termômetro.

A Marilena, mais uma daquele tipo do "gente que faz" é leitora do meu blog. E eu do dela. Um blog gostoso e tranquilo de ler(que ela partilha com o marido Sérgio, embora eu perceba mesmo é a fala dela lá), onde partilho de sentimentos parecidos sobre a experiência de viver fora do país com a família e da experiência de SER intensamente, todos os dias.

Foi seu email sobre o post "Leitor, mostre sua cara" que me fez pensar como os meus leitores, embora possam ter personalidades até opostas à minha são, na verdade, gente muito igual a mim. E eu fiquei maior orgulhosa disso! Fiquei porque é gente que eu acho bonita. Gente que admiro, entende?

A Marilena é farmacêutica, defendeu seu mestrado com 9 meses de gravidez do primeiro filho, na área de oncologia (só para ressaltar o quanto a moça não brinca em selviço, oncologia é a ciência que estudo os tipos e manifestações do câncer), porque ela "gosta mesmo é de pesquisa científica", afirma. Um pouco ao contrário de mim que, apesar de ter amado escrever minhas teses e tal, adoro mesmo é uma farra em sala de aula e gente, gente, gente!

A Marilena é casada e adora estar casada com seu Sérgio. Tal como eu que adoro estar com meu Renato. Ela também é mãe. Curte tanto a tarefa que deu uma pausa das pesquisas e do trabalho para cuidar das três lindas e saudáveis crianças que vocês vêem aí acima: da Helena, da Luísa e do Edu. Eles devem ter respectivamente quatro, dois e meio e seis aninhos, já que a idade mudou desde que ela me mandou a foto. Exatamente o mesmo que eu fiz, quando às vezes me pego tão envolvida com o Ângelo que me esqueço dos quase 8 anos de mestrado e doutorado. A Maternidade tem disso!

A Mari sente mais ou menos o mesmo que eu, a gente vai criando uma intimidade e amizade com quem lê e sente como se fosse amigo mesmo:

"Adoro ler os seus posts e aprender com vc. Acho o Angelo uma graça de criança e é engraçado como vamos nos tornando quase intimos dos autores de outros blogs. Não é raro eu citar alguem ou alguma situação que li."

As semelhanças são tantas que esses dias a Mari falou lá das coisas que lhe incomodam no Canadá e eu podia até copiar a lista para um post aqui no Borboleta, caso quisesse.

Embora nunca tenha ouvido a voz da Marilena, como nunca ouvi da maior parte de vocês que passam por aqui, eu sinto como se a gente fosse tão próximas. E eu entendo que essa relação nessa rede virtual se dá porque são os iguais que se atraem mais, mesmo que deles saibamos mais sobre o que sentem e pensam do que seus sobrenomes, como eu não sei o da Marilena.

Os opostos até podem se juntar por um tempo, mas, ao contrário das leis da física, o que ajuda mesmo a permanecer junto são os pontos semelhantes, os que nos unem.

O que me une à Marilena e a tantos de vocês são coisas assim que a gente acredita e vive. O mesmo que une a mim, uma pisciana-artista-filósofa a um virginiano-engenheiro como o Renato.

Os opostos se atraem sim, mas os iguais são os que mais se entendem e conseguem ficar mais tempo coladinhos. Disso eu não tenho dúvidas físicas nenhuma!


15 março 2010

Não sou sueca, mas não erro uma!

(Anna Bergendah ganha o Melodifestivalen, Foto: The Local)


Tá ficando até chato já! Eu acerto sempre!

Minha candidata do ano passado no Melodifestivalen venceu e a desse ano também! Meu voto ajudou a levar as duas para o Eurovision que esse ano será na Noruega.

Dureza ser boa de palpite!

Anna Bergendah, levou o prêmio com seu all star vermelho e sua voz potente.
Eu fiquei pra lá de feliz porque se alguém mais tivesse ganhado eu ia passar o maior vexame no Eurovision! Os outros candidatos ou tinham voz ruim demais, ou letra chata, ou cantavam inglês mal ou too much em modelitos...

Anna, ao contrário, tem voz centrada e firme. Seu estilo jovial e tão sueco é carismático e ela me pareceu ser uma menina toda autêntica. Apesar de não ter ganhado o Ídolos na Suécia, ela deixou o júri boquiaberto com sua voz naquela ocasião... Engraçado ver que fora do palco a poderosa cantora é uma menina quase insegura, até um pouco envergonhada e com medo de dar bola fora.

É bonito ver como a música e o palco a transforma.

Até meus vizinhos americanos que foram convidados de úrtima hora pra festa estavam convencidos de que era a melhor! Fora eles, minhas três amigas Lu, Xu e Ângela (todas com seus pares e prole) e a sueca tarada por Melodi, Helena.

Churrasco na laje a 3 graus com chuvinha fina depois do dia bonito e dança e cantoria quente dentro... A Primavera nem deu direito as caras e a gente já está feliz que só por ter dias coloridos e ensolarados!

Agora é só esperar o Eurovision e arrumar mais motivos para festa! Único detalhe é que lá a gente daqu não pode votar no próprio candidato e vocês vão ter que dar uma mãozinha votando na moçoila loira. Combinado?

Combinado! Então, ótima segundona pra vocês!



13 março 2010

Hoje é a final do Melodifestivalen: vem que e a festa é aqui em casa!


(Malena Ernman, paródia feita por Christine Meltzer)

Hoje, as oito da noite, a Suécia saberá qual de seus candidatos irá disputar a final do Eurovision. Junto dos milhares que pararão para ver o show estaremos também nós aqui com alguns amigos.

A homarada deve ficar mesmo é na cerveja e no churrasco do lado que vai rolar do lado de fora, já que o tempo aqui tá super bótimo para se fazer churrasco. Sol, céu azuuulzin e 5 (pasmem! cinco!) graus no termômetro.

É calor que ninguém aguenta mais!

Então, se você quiser aparecer apareça! Traga aí um pedaço de carne qualquer com cervas e tá tudo acertado.

Ah... para entrar no clima você pode ouvir a música preferida para hoje a noite: a loirinha de quem eu já havia falado antes, Anna Bergendahl, já teve sua "This is my life" comprada no itunes milhares de vezes na última semana e está também na preferência em algumas rádios.

Aí acima também vai uma paródia que a apresentadora do Melodi desse ano fez sobre a ganhadora do ano passado, minha amiga Malena Ermnan. Só para vocês entenderem que o show e seus personagens estranhos (como a Camilinha já tinha notado antes) também é piada entre eles mesmos.

A paródia foi feita no Malmö Arena, no dia que eu fui ao vivo, e foi muuuito engraçado, pelo menos foi pra gente quase sueca naquele dia. Aliás, a apresentador é comediante famosa aqui nas Suécias.

Só para facilitar ela tira a maior com a cara a Malena, porque, apesar dela ter um visu nada normal, e aquela coisa de cantora lírica, com o vozerã e corpo sempre malhadão, ela afirma sempre para as revistas que não entende tanta coisa em cima dela, já que ela é uma pessoa totalmente normal.

A comediante, na pele da Malena, brinca com isso e mostra como seria o dia a dia da Malena. Como pessoa normal ela cozinha em casa, ouve tudo quanto é tipo de música, vai ao mercado, come pizza, anda a pé... coisinhas que qualquer ser humano faria... O engraçado é ver como. Vale a pena conferir nem que for como curiosidade do que é piada para os suecos.

Beijão, até mais tardinha!

12 março 2010

Adivinha quem é a mais nova micro-empresária da Suécia?



Lembram de quando contei dos meus mil duzentos e sessenta e três planos para este ano: então, mais um acaba de acontecer: saiu a resposta para abertura de minha pequena e bela empresa! Agora sou a mais nova micro-empresária da Suécia! Uhuuu!

O órgão responsável é esse aí Skatteverket e se você tiver planos parecidos procure a unidade da sua cidade. Eles dão todo tipo de ajuda e esclarecimento, inclusive em inglês. Também há como resolver tudo apenas pelo site se você não precisar de ajuda com o sueco do site. Talvez por isso, na unidade gigante que fui, 90% seja estrangeiro porque a suecada deve resolver tudo de casa mesmo.

Agora com esta resposta eu só preciso parar para ler (em sueco, af!) um pacote de papéis e preencher outros (que eu não faço idéia como) e depois prestar conta para o Leão sueco para não cair nas malhas dele. Também já começo a pagar imposto por mês (não me pergunte muito sobre essa parte que eu sou suuuper burralda pra isso) E pintar! E dar workshop! E vender pintura! E tudo que tiver direito para ganhar dinheirinha e me divertir ganhando pelo que gosto de fazer.

Se eu me sair bem nessa acho que posso ser empresária em qualquer canto!

Aliás aquele segundo workshop será dia 24 próximo e ando a todo vapor falando com os caras e organizando tudo e tentando manejar o desafio de cuidar de 100 pessoas num mesmo dia.

Ah... só para constar eu sou uma pequena empresa, logo, eu não alugarei nem terei um espaço físico para mim, além do meu ateliê em casa e os lugares onde me oferecerem para trabalhar...

Se você estiver interessado nas obras e nos workshops precisa me contactar e vir até minha casa mesmo. Tá certo?

Com enjôos diminuídos (só estou uma sinusite de lascar e gripe muito forte) eu entrei naquela fase que dizem ser a super fértil e cheia de energia da gravidez. Pintei três telas nessa semana e fiz mais um tanto de coisa!

Na última gravidez escrevi 2 dos 4 capítulos da tese apenas nesse período de 4 meses, dia e noite, cheia de vontade... É um negócio louco! O corpo da gente primeiro reage aos hormônios de uma maneira inesperada. Eu passei mal como se tivesse com rotavirus (influenza), coisa assim até agora... E então começo a sentir uma energia vinda de outro mundo...

Tudo isso é realmente totalmente maluco! E lindo.

E assim sigo... Sigamos...

11 março 2010

Bateu o tédio?



Se você está um pouco entediado no trabalho, se os dias de chuva ou de inverno duram mais do que o esperado, aqui vai uma idéia (sueca) de como lidar com isso, sugerida por um amigo de um amigo nosso (o Johan).

1. Encontre algumas moscas mortas (caídas no chão, no peitoril da janela ou em uma gaveta)
2. Coloque-as no sol para que sequem completamente.
3. Quando eles secaram, pegue uma caneta e papel e deixe sua imaginação correr livre. (Lembre-se lavar as mãos quando terminar)






Good Morning Star Shine, parte 2: "O Borboleta tem muito mais que rostinhos bonitos!"

Fabiane Milani, diretamente do Rio Grande do Surrrr para o Borboleta


Na continuação do post "Good morning Starshine", em que estou apresentando os leitores que mostraram sua cara, tenho aqui hoje em minhas mãos uma carta. Uma carta de uma leitora que nos assina com um olhar sempre apaixonado pela natureza e um nome: Fabiane Milani.

A Fabi é essa gaúcha lindona que aparece nessa foto super bacana que vocês vêem acima (demorei a ver que a flor está na árvore e não em você!) e que, assim como você leitora e leitor, gosta de fazer visitas ao Borboleta.

Nascida em Porto Alegre a Fabi reside, na verdade, em Santa Maria, para onde se mudou com a família quando ainda era pequena. Sua história, tal qual a minha, se conta mesmo nesse lugar onde cresceu e não onde nasceu. Eu, por exemplo, nasci lá pelas bandas de Assis, na pequena cidadezinha de Pedrinhas Paulista, e cresci em Sumaré, pouquinho mais próxima da capitar São Paulo. É de lá que me conheço. A gente se lembra mesmo de onde cresce, embora haja uma lembrança construída do lugar de onde nascemos que fica a partir das histórias que os nossos pais nos contam. Talvez por isso ela tenha me dito no email:

"Sou mais Santamariense do que de qualquer outro lugar, já que vim aos seis anos de idade", diz ela. Aqui cresci, estudei, trabalhei e fiz alguns amigos."

É em Santa Maria também que a Fabiane estuda comunicação social, com foco em publicidade e propaganda, um curso, entre os quatrocentos e setenta e cinco, que eu também já quiz fazer na vida.

A Fabi me disse no email que tem curiosidade de me conhecer pessoalmente e que tem planos de vir à Suécia em julho próximo. Será um prazer com certeza! Mas tem que prometer Fabi que vai fazer umas fotos bonitas minhas iguais as você tem no seu flickr... :) inda mais porque eu vou estar maior barriguda e aqui me falta alguém com esse toque artístico nas fotos para não deixar aparecer baranguice.

É que a Fabi tem um blog onde ela posta coisas bonitas como poesias com fotos que ela mesma tira do lugar onde vive e vendo uns retratos dela eu entendi que deve ser fácil para alguém com rostinho assim mostrar "sua cara" nos blogs amigos... Ok! Não fica brava que cara brava deixa você feia!

Fabiane, seja sempre bem vinda ao Borboleta e também à Suécia! Entre em contato se vier!


Mariel Stupp: o Brasil é quentinho demais, então vou para perto da Lapônia!


E hoje eu também tenho para apresentar a vocês um outro rostinho bonito que alguns de vocês já connhecem. A Mariel é a autora do fluente, jovial e gostoso blog "Nova vida no velho mundo" (Mari você sabia que tem um blog que é tem quase o mesmo nome que o seu? "Vida nova no velho mundo"?). Ela também é ao meu ver uma brasileirinha cheia de coragem e espírito aventureiro.

Ela, como eu, vive para cá nas bandas suecas, mas ao contrário de mim ela vive naquela Escandinávia que a gente imagina a partir dos livros, sabe?

Luleå, a cidade onde vive e estuda na Universidade, fica lá em cima, quase na pontinha da Suécia, vizinha do Pólo Norte e do povo suomi. Lembra dos samernas, o povo da Lapônia, de quem falei ano passado? Então, lá mesmo onde vive o Papai Noel com sua trupe... Tudo bem que a Mariel tem uma ajuda bem boa que é o pézinho quente de um namoradão bonitão sueco, mas tem que ter peito para enfrentar um lugar onde há neve quase 8 meses do ano, não tem Mari?

A coisa legal é que a Mariel tem possibilidade de visitar facinho a vila do Pappis Noel com a turma da facul e tudo o mais, como ela NÃO fez ano passado e eu não... E o inverno dela é claro, com luz bem ao contrário do inverno de Malmö, tão escuro e cinza durante meses. Fora isso admiro mesmo a força e a alegria com que a Mari vive seu dia a dia na gélida Suécia.

Essa moçoila aí me disse novamente: "teu blog me dá o que pensar!" E eu fico realmente feiz que pessoas como ela e vocês tão pensantes e questionadores achem isso do que escrevo. Obrigada e digo, sem falsidade nenhuma Mari, que teu blog sempre me dá muito pra sentir. Adoro ver seu otimismo ainda maior que o meu com tudo e sua jovialidade e frescor!

A Fabi e a Mari estão naquela categoria "gente que faz" pra mim... porque diferente de um montão de vocês que não tem coragem de se apresentar e continuam anônimos e anônimas, elas deram a cara pra bater! hehehe... brincadeirinha!

Hasta la vista Baby!

...


ps: Amanhã mais duas histórias para vocês de gente que faz e mostra a cara no Borboleta para quem duvidar! Ah... meus enjôos estão diminuindo, talvez por isso o humor exagerado e não falso no post... sorry! Agora vocês vão ter que me engolir feliz!

09 março 2010

E essa flor você aceitaria?


Ontem, quando cheguei para pegar o Ângelo na escolinha, depois do almoço, vi esse cartãozinho no armarinho dele. Com uma florzinha montada e colada com lantejoula, cheia dos dedinhos dele na cola havia os dizeres na letra da "professora": "

"Grattis på Internationella Kvinors dagen, önskar Angelo". (Parabéns pelo Dia Internacional da Mulher", é o que deseja o Ângelo...)

Quando peguei na mão, ele logo veio disse orgulhoso:

- Mamãe EU que fez pá você essa flôrrr...

E eu? Me derreti toda, dizendo "Obrigada! obrigada! obrigada!", como se tivesse ganhado uma Estátua do Oscar de melhor mulher e mãe do mundo! E pensei que há rosas e flores dadas nesse dia de ontem que eu quero ganhar com certeza...

E você? Aceitaria uma assim? Se sim, então receba essa aqui que copiei de presente... E deixemos os discursos de melhor do ano para outra hora...

...


update: o próximo post "Good morning starshine" será publicado só amanhã, por conta de muita coisa que preciso encerrar hoje aqui. Beijos e bom dia!



08 março 2010

"Good morning Starshine", parte 1: as leitoras que mostraram sua cara num post em homenagem às mulheres

(O feminino só pode ser cheio de cor. Tela da artista extremamente feminina Isabelle Tuchband)

Quem é que se senta frequentemente, em frente de seu computador, num outro canto qualquer do mundo e comigo se conecta? Quem são as pessoas com as quais faço essa comunicação meio invisível e que me mantém escrevendo posts neste blog?

Há vários meses fiz perguntas como essas e pedi para que vocês me enviassem fotos, escrevessem algo sobre vocês, no post Leitor mostre sua cara!, para que eu tivesse uma idéia melhor do perfil de quem vem até o Borboleta e para que essa troca fosse mais real.

Qual minha surpresa ao receber naquela semana várias fotos de gente que mostrava um perfil muito diferente do que eu imaginava para os números que apareciam no marcador no fim do dia.

Ao contrário de gente pacatinha, caseira, assim que fica procurando na rede algo para se distrair (não me pergunte porque eu fazia essa idéia) apareceram aqui jovens mulheres, em sua maioria, moças e alguns moços lindos e cheios de vida! Gente que vai daqui pra lá, de lá pra cá tentando manter o pique entre trabalho, estudo, casa ou filhos, quem os tem. Ao menos tomando em conta quem está aqui por ter decidido "mostrar sua cara" e partilhar um pouco de si comigo e com vocês.

Meus leitores me pareceram, então, pessoas muito parecidas comigo. Ou ao menos com muitos pontos em comum: universidade, viagens, filhos, arte, gente emigrada, gente cheia de idéias e desejos etc...

Esta semana eu publicarei um post por dia, mostrando um pouco da história desses leitores que me enviaram suas histórias em novembro do ano passado. Infelizmente não dá para fazer num post só porque ficaria muito grande e minha intenção é que vocês prestem atenção a todos eles, sem se cansar de nada.

Separei em ordem alfabética, para ser mais justo e comecei separando primeiro as mulheres, porque são maioria e porque hoje é dia Internacional da Mulher. Achei que mostrando minhas leitoras e agradecendo a elas sua participação nesse blog é uma maneira de homenagear todas vocês.

O post foi iniciado ontem, um domingo lindíssimo de sol e colorido em frente de casa... e foi ao som de "Good morning Starshine", uma canção deliciosa, cheíssima de energia, de alguém que ficou famoso com seu nome Oliver nos anos 60, que eu pensei em mandar um abraço muito, mas muito apertado para cada um de vocês.

Um abraço apertado para quem mostrou sua carinha e para toda Mulher que por aqui passar hoje.

Ah! Não deixe de ouvir a música... é meu singelíssimo presente, junto com esta tela uau! tão cheia de vida de outra mulher que admiro, hoje para cada uma de vocês. Juntos, eles com certeza irão ser um bom pano de fundo para ouvir as histórias abaixo...


Como são, o que fazem e o que pensam as leitoras do Borboleta?

1. Ana Nascimento, Portugal



Esse sorriso super simpático é da Ana. Ana Nascimento. Um portuguesinha que vive a andar por terras alheias e se diz ser fã do Angelinho. Ela escreveu pouco no email que me enviou sua foto, mas eu não me esqueço de ter sido dela um dos comentários mais lindos, mais impulsionantes que recebi em quase três anos de blog, no post sobre a Suécia colorida da Somnia e com o qual eu até havia planejado escrever um post, mas não o fiz... Aqui vai ele...


"Olá Sônia! há mais de um ano que leio o teu blog, que descobri enquanto fazia pesquisas na net, para me preparar para uma viagem à Suécia, Gotemburgo. Fiquei fã do país mesmo antes de o conhecer, e quando lá cheguei foi ainda melhor do que esperava! Sou portuguesa, e há coisas em que somos parecidos com os brasileiros, embora sejamos muito mais pessimistas e muito menos alegres. Sempre me senti um pouco peixe fora de água, primeiro porque não sou pessimista, e depois porque sempre me senti chocada com o dia a dia pouco civilizado de Portugal.
Queria só dizer que AMEI este post.. a começar pelas fotos e a terminar na inteligência e sensibilidade do que está escrito, só sei que me apeteceu emigrar para a Suécia já amanhã! adoro ler os posts, ficar a par do crescimento do Ângelo, da tua vida com o teu grande amor Renato! só posso dizer que é verdade que ao ler os posts parece que tens uma vida de sonho, mas também dá para ver, se soubermos ler um pouco mais longe, que as coisas nao caem do céu! Tudo o que tens hoje na vida, de certeza que colocaste também pra fora. esse amor todo, que até na internet se sente, só poderia voltar para ti e fazer-te a mulher fantástica que pareces ser! Espero que continues a partilhar a tua vida connosco, eu vou continuar de certeza a acompanhar-vos, bem de longe e sem nos conhecermos.. mas queria dizer-te que sempre que há um novo post, há um pouquinho de alegria na minha vida, por ver que al´guém tem lutado como eu para ser feliz, perante todas as coisas que nos querem deitar abaixo! espero voltar à suécia, adorava conhecer malmo! beijinhos enooooormes! felicidades!"
!


Preciso dizer mais? Quem é capaz de escrever coisas assim tem como não ser alguém transbordante de vida, transbordante de amor? Tack så mycket Ana!


2. Inês Arnaut Pimentel, Portugal


A Inês, conterrânea da Ana do Nascimento, também é fã do Ângelo e é leitora e comentadora assídua do Borboleta e não sabia se gostaria ou não de ver sua foto aqui. Como ela não se decidiu aqui vai a bela.

Seus comentários no blog são sempre recheados de informação e com o mesmo adorável sotaque portuga já é marca registrada no blog.

A Inês morou na Suécia por um ano, quando estudou na Universidade de Växjö e foi suficiente para que ela não esquecesse mais a ligação com as terras frias. No Borboleta, diz ela, ela consegue ir "recebendo bocadinhos da Suécia vistos pelos olhos de alguém mais próximo do meu ponto de vista em relação aos suecos e à cultura sueca. "

A Inês é fã do blog e gosta de pensar nas mesmas relações que ela também fazia quando estava aqui. Além disso, nutre a mesma paixão que eu pela pintura, embora também seja apaixonada por um rapaz que conheceu em suas andanças pela Escandinávia e com quem namora há quatro anos.

A Inês me pareceu intensa, cheia de vida e projetos bacanas para cumprir na vida! É um prazer e um orgulho danado ter gente como ela me visitando. Obrigada Inês!


3. Jo ann von Haff, França


Essa moçoila que posa de meiga é outra que, apesar do português com o qual escreve nos comentários, não é brasileira. Jo Ann, é uma angolana vivendo em França desde 2001, onde trabalha sendo a escritora que foi "desde sempre", embora tente ainda fazer dessa atividade sua profissão.

Em seu blog do fino francês, Ladybirdism (s), que eu não entendo tão bem assim, eu encontro poesia, reflexões sinceras e emocionantes, como a poesia que Jo Ann escreveu ao deixar, dias atrás, a cidade que tanto amava, Montpellier. Essa abertura de espírito para o novo e para aprender se ligou primeiro Jo Ann ao meu blog, depois ligou-me ao dela...

Aqui vai uma tentativa de mostrar um pouquinho do que tento dizer, numa tradução muito literal que fiz da poesia dela. (Por favor, Jo Ann diga se odiar e preferir que eu tire do ar, ou se prefere enviar você sua versão em português de presente pra gente!.)

Pra mim a maravilha dessa poesia é que nela a gente percebe que tipo de pessoa é quem a escreveu... Há tempo para tudo não é? O de chegar e o de ir embora? Tempo de finalizar e de recomeçar? E a Jo Ann sabe bem disso... mesmo sendo doída a partida, muitas vezes ela se faz necessária e o melhor é seguir adiante e olhar para o futuro...


Rendez-vous
Encontro

J’ai rendez-vous avec mon futur
Et je dois y aller maintenant,
Tout de suite,
Et te laisser derrière moi…

Eu tenho um encontro com o meu futuro
e eu tenho que ir agora,
Imediatamente,
e deixá-lo para trás ...


Je dois partir vers
De nouvelles aventures,
Visions, images,
Nouvelles émotions…

Eu tenho que ir,
buscar novas aventuras,
novos olhares, novas paisagens,
novas emoções ...


Tu sais combien je t’aime,
Combien tu comptes
Pour moi,
Mais je dois partir.

Você sabe
o quanto eu te amo,
você sabe o quanto eu me importo.
Mas eu tenho que ir ...


Je m’en vais, je recommence,
Je dois y aller,
J’en ai besoin
Et je le ferai.

Eu tenho que sair, começar tudo de novo.
I tenho que.
Eu preciso.
E eu vou.

Peu importe ce que tu me diras,
Je ne changerai pas d’avis.
Je m’en vais.
J’ai un rendez-vous avec mon futur.

Não importa o que você diz,
Eu não vou mudar de idéia.
Eu estou indo.
Eu tenho um encontro com o meu futuro.

Au revoir, Montpellier.
Adeus Montpellier.


- Jo Ann von Haff -


Que lindo! Parabéns Jo Ann e que você se enamore novamente...

...

ps: Sempre é tempo de mostrar sua cara e contar um pouco de você. Escreva para borboletapequeninanasuecia@gmail.com, que eu publicarei em outra série as fotos e histórias. Sejam bem vindas e bem vindos!

04 março 2010

"Tous les matins du monde"

("La musique", Henri Matisse, 1939)

O dia está azul. De azul celeste o céu e turquesa o mar. Já posso ver o gramado que há dois meses estava coberto pela neve. A cor do dia engana sobre os -2 no termômetro, mas tudo já está com a vida que anuncia a Primavera.

Dentro de mim continua, gracias à vida!, crescendo alguém e os enjôos começam a ficar mais espassados.

Estou bem feliz hoje! Primeiro porque escrevi o post abaixo, respondendo a uma carinhosa leitora sobre dicas para quem se muda para cá. Segundo, estoy ocupadíssima com meu segundo workshop. Sim! Sim! Salabim! como diz minha amiga Xu...

Por conta daquele primeiro, duas pessoas que lá estavam agora querem que eu organize outro, com dinâmica e objetivos diferentes, para um grupo de cem pessoas. Lá mesmo na Sony Ericsson.

Por conta disso estou inspirada com pintura e música, que será o tema do dia para o time que trocará seus dias objetivos e práticos para um mergulho na arte.

Para mim é sempre bom demais trabalhar naquilo que mais adoro fazer. E talvez por conta do "sucesso" que eu mesma atribua a isso em momentos assim sempre lembro de uma coisa boba, mas inesquecível, que aconteceu, quando entrei para a faculdade de filosofia, durante nosso "trote de calouros".

No meio dos milhares de calouros que entravam naquele ano de 1994 na Unicamp, junto aos veteranos de outros cursos, havia a banca da filosofia com três estudantes. Um deles (não me lembro dos outros) o Giovanni*, cujo olhos azuis a gente não esquece, perguntou-me: "Sônia, qual o motivo de você ter escolhido filosofia? Fama, dinheiro ou poder?"

Era uma pergunta para a qual não havia resposta, já que, segundo eles, a filosofia não prestava para nada dessas coisas. Aliás, essa era a grande arma da filosofia: ela não se prestava a ninguém, nem a coisa nenhuma.

Passei no teste dos calouros e não recebi nem guache, nem ovo nem nada para a decepção de uma caloura interiorana. E, depois de muitos anos, estou eu aqui. A diferença era que minha expectativa quanto à fama, dinheiro e poder nunca foi muito grande e de, certa forma, fico feliz em ter um pouquinho de nada disso tudo!

Desejo um dia cheio de liberdade e energia boa para vocês ao som de "Une jeune fillette", da trilha do inesquecível filme "Todas as manhãs do mundo". E uma porção inspiradora para a Dri que logo embarcará em terras francesas de novo. Bom dia!



("Une jeune fillette", Melodie populaire, arrangement, J. Savall)


...


* O Giovanni se tornou meu amigo depois e vivia recitando poemas pelos corredores. Ele era inteligente e sensivel demais, mas não chegou a terminar o curso conosco. Viajou e não mais voltou. Dedico essa canção a ele hoje...

Dicas Mil: vida prática na Suécia: vou me mudar e não sei por onde começo?

("Ashes", Edvard Munch, 1894)

A Françoise é leitora do Borboleta, vai se mudar para Lund, onde seu marido dará aulas na Universidade de Lund e me escreveu um email pedindo algumas dicas (que eu tenho dado nessa sessão "Dicas Mil" e especificamente nesse post aqui. Além disso ela tem questões típicas de como se arranjar melhor com a escola das filhas e com as dificuldades que virão.

Eles têm duas filhas, uma em idade escolar, e Françoise também trabalha no Brasil, por isso já sente receio de como se ocupará num país tão diferente pelo ano que aqui morarão.

Eu tenho algumas sugestões de coisas que funcionaram muito bem para mim e também daquilo que se deve evitar, por eu ter sentido que me atrapalhou no começo. Obviamente há experiências
diferentes sempre e vocês são bem vindos para comentar e ajudar a Françoise e quem mais precisar de dicas como essas, num momento cheio de mudança e dúvidas como esse.


1. Onde morar?

Lund é uma pequena (76 mil habitantes), charmosa e típica cidade sueca que fica a menos de 20 km do centro de Malmö que ë a terceira maior cidade (300 mil habitantes) e ambas se situam ao extremo sul da Suécia.

A vantagem de Lund para Malmö é que se cruza Lund toda andando a pé em alguns minutos. Há uma sensação rápida de conforto e segurança e a cidade é muito jovem. Milhares de universitários se deslocam do país e da Europa para frequentarem a Universidade de Lund. Entretanto, o lado negativo é que a pequena cidade se torna quase vazia durante pelo menos três ou quatro meses do ano, na época das férias escolares.

Malmö não é tão charmosa, mas é muito mais internacional. Milhares de estrangeiros vivem aqui, quase 1/3 da população nasceu fora da Suécia. Há mais mercados, shoppings, igrejas, escolas, tudo. Os horários também são mais acessíveis que em Lund, já que no inverno o comério de Lund "morre" as 6 da tarde e em Malmö é possível achar alguns locais abertos até as 8 e bares até meia noite ou mais.

Além disso, Malmö está à mesma distância da charmosa Copenhaguem, capital da Dinamarca e apenas uns 15 minutos do aeroporto internacional de Copenhaguem, de onde se faz as conexões para ir para o Brasil e o mundo todo.

Sem conta que é possível se deslocar muito facilmente até Lund de carro até o centro de Malmö em vinte e cinco minutos. Há ônibus intermunicipais de 10 em 10 minutos, que saem de vários pontos de Malmö e custam em torno de 8 reais a passagem. Dependendo da linha que se toma a viagem dura sempre de 29 a 40 minutos. Sem trânsito, quase sempre.

Minha dica é tentar viver onde há maior número de pessoas, onde se pode programar melhor a vida social e não se sentir tão sozinho. Vivi um mês em Lund e amei a cidade, amo até hoje, mas viver lá me parece muito mais difícil que aqui em Malmö. Nos meses de inverno principalmente.


2. Como faço para ter a identidade sueca (personnummer)?

Depois de definido onde vai morar é preciso fazer sua identidade sueca, já que absolutamente qualquer atividade aqui lhe será exigido este número, desde emprestar um vídeo na locadora a dinheiro no banco.

No caso da Françoise o marido vem empregado pela Universidade e, com certeza, serão eles a cuidar de todos os trâmites legais para isso. Provavelmente as identidades demorarão uma ou duas semanas a ficarem prontas, então, antes disso não dá para se fazer muito mais que conhecer e visitar a cidade.


3. Onde encontro escola para os meus filhos?

Definido o lugar onde vai morar pode pensar na escola das crianças.

A Suécia garante escola para qualquer criança registrada em no máximo quatro meses depois da data de registro no sistema. Isso quer dizer que você deve tentar registrar as crianças em escolas próximas ao local onde vai morar o quanto antes possível, se quiser escola assim que chegar.

Não se preocupe quanto à qualidade. As escolas são de nível muito bom e são todas públicas, embora tenha que se pagar sempre uma porcentagem quase símbolica, de acordo com o salário final da família.

Para crianças com menos de seis anos é preciso fazer a inscrição (anmälan) para as pré-escolas (Förskola). Clicando nesse link é possível fazer a inscrição vida web, entretanto você precisará ter em mãos os números das identidades suecas. É sempre pedido o da mãe e da criança, em casos de inscrição para escola.

Para crianças acima de seis anos (não sei se será ou não o caso da Bia, filha da Françoise, que tem 5 anos) é possível entrar em contato com os reitores por email. Todos eles são atenciosos e é possível escrever o email em inglês. Escreva rápido e peça informações de como proceder. Explique o caso e eles lhe ajudarão a saber se ela deverá ir para a Förskola ou Grundskola.
Escreva um email (pode ser em inglês) no formulário nessa página e envie a eles.

Não tenha vergonha, nem medo. Sempre explique a situação. Pergunte se pode falar em inglês, que precisa de ajuda etc. Não desanime se alguém não for super agradável. Eles são prestativos, mas não são brasileiros e não "mimam" a gente. Apenas dão a informação que se precisa. Clique abaixo nas listas com os dados de cada escola e responsável por ela:


- Lista de telefones e email dos reitores das Grundksolor, ou seja, a escola básica para crianças acima de 6 anos.

Importante: há empresas que incluem no contrato o pagamento de escolas internacionais para crianças acima de 3 anos. Verifique se é o seu caso e entre em contato com a escola internacional. A mais famosa é a Bladins, na qual é possível fazer inscrição também via rede e onde todas as atividades serão dadas em inglês não em sueco.

Na minha opinião se se vai ficar pouco tempo elas podem ser boa escolha já que as crianças aprendem uma língua que usarão a vida toda. Por outro lado, aprender sueco ajuda na socialização com a população local. É preciso decidir conforme a necessidade de cada um.


("La promenade", Claude Monet, 1875)


4. O que faço no início se não conheço ninguém?

O primeiro ano de vida num lugar diferente é sempre o mais excitante, já que tudo é novidade e porque é uma descoberta a cada esquina. Aprendemos muito, ficamos mergulhados e é como se ainda os ouvidos não estivessem abertos. A sensação é de que estamos voando por tudo e admirando.

Por outro lado, também é o mais difícil. Não falamos o idioma, não entendemos o funcionamento das coisas e isso cansa muito.

Para diminuir as chances de frustração tenho abaixo uma listinha básica de coisas que ajudam no dia a dia. Espero que elas lhe ajudem a explorar o máximo que conseguir, porque um ano passa voando quando se está numa experiência assim.


Sacadas rápidas que poupam muito stress:

- Compre ainda no Brasil, ou em sua terra, um dicionário de sueco. Carregue-o por todos os lugares que for, já que, apesar da maioria falar inglês, as informações, as embalagens etc são sempre em sueco, dinamarquês, norueguês e filandês. Isso lhe ajudará a não trazer fermento no lugar da margarina para casa.

- Não fique em casa esperando que as coisas aconteçam. Planeje sair todos os dias para explorar um canto da cidade, tente falar com as pessoas, entre e saia dos lugares. Tente se familiarizar com tudo.

- Passe em um posto de informação ou qualquer casa de cultura, museu etc e pegue alguns mapas da cidade. Só circule com ele. No início é muito fácil se perder e confundir o nome das ruas. Lembre-se: para pedir informação onde fica a rua Bankgatan, por exemplo, diz-se sempre "Bánkgóóótan" e não "Bankgatan", como nós brasileiros falamos. Isso dificulta a pessoa entender o destino onde você quer chegar.

- Troque dinheiro por moedas de 5 e 10 coroas. Elas lhe servirão para pagar os banheiros "públicos" ou de lojas, já que quase todos os banheiros daqui são pagos.

- Procure por um posto da Skånetrafiken. São os centros responsáveis pelas linhas de ônibus de toda a região da Skåne e compre uma carteirinha de passes para circular nos ônibus. Há opção para 200 coroas (mais ou menos 60 reais) e 400 coroas suecas. Isso lhe facilitará muito a vida, já que em determinados horários da noite e em certas linhas intermunicipais não se aceita dinheiro, apenas o cartão.

- Procure pelos Öppna Förskolar, se você é mãe ou pai. Elas são lugares que funcionam como uma pré-escolinha aberta a qualquer um. A estrutura é a mesma, mas os pais entram e ficam com as crianças. É gratuito e isso lhe permitirá fazer amizades com outros pais com crianças na mesma idade.

- É bom conhecer brasileiros e fazer amizade com eles, porque nos sentimos em casa e reconfortados, mas não se esquive de conhecer a população local. Não tenha medo se seu inglês é macarrônico. Os suecos falam bem inglês, mas adoram treinar. Arrisque.

- Use e abuse do google tradutor. Copie as páginas que precisa e não deixe de fazer algo só porque a página está em sueco. No início intimida, mas atrapalha muito se o medo vencer sua disposição.

- Também abuse dos sites que ajudam você a encontrar qualquer estabelecimento, rua ou pessoa que precisar: Eniro e Hitta, além do Google maps Sverige.

- Procure apartamentos e casas para alugar através dos sites: Blocket e Bopunkten, onde os próprios suecos ou imobiliárias oferecem seus imóveis para alugar.

- Por fim, inscreva-se em algum curso, de sueco, de inglês, de artes, qualquer coisa que lhe permita conhecer gente, ocupar-se e aprender.

Algumas sugestões são:

Folkuniversitet, que é paga, mas não custa caro.
Konvux, público, onde se aprende sueco e outras matérias.

Por hoje é só.
Se tiverem alguma questão objetiva que se inclua nisso, façam que respondo nos comentários ou incluo num outro post.

Boa Sorte Françoise!!! Que essa sua nova vida que começa em 07 de março comece colorida como a Primavera que está começando a dar as caras. Se souber relaxar e curtir essa fase muito passageira você verá que é possível passar de um terrível e angustiante quadro do Munch e tentar viver seus dias de mãe num quadro do Monet (embora de Madame Monet a gente não tenha nada vivendo na faça-tudo-você-mesma-mãe-Suécia.

Eu sempre penso comigo que um, dois anos em minha vida toda e na vida dos meus filhos e marido significa tão pouco para que eu me angustie pensando "ó eu não estou trabalhando!" ou o que seja! Aproveite para aprender e viver essa pausa sem culpa... Só de aceitar a vinda você já mostra abertura de espírito. Agora é só curtir a quatro essa experiência super rica!

Sejam bem vindos! E, por favor, entre em contato para a gente tomar um café gostoso e se encontrar sempre que der. Beijos!

borboletapequeninanasuecia@gmail.com