28 junho 2009

Paisagens inesquecíveis da Skåne

(Ângelo e Renato no topo onde se encontra o monumento Ales Stenar, fixado por volta de 2.000 anos, Kåseberga, 2009)

Skåne é a região da Suécia onde vivemos. Ela engloba inúmeras cidadezinhas e algumas maiores, como Malmö. Aqui vai algumas das paisagens que sabemos serão inesquecíveis e que temos fotografado nas viagens desses fins de semana do verão...

E ótimo domingo pra quem está por aí!

(O monumento  Ales Stenar, visto ao longe, Kåseberga, 2009)

(A caminho de Kåseberga, 2009)

(Moinhos à beira da estrada, caminho de Kåseberga, 2009)

 (Papoulas vermelhas que crescem em meio ao mato, caminho de Kåseberga, 2009)


(No monumento  Ales Stenar,  Kåseberga, 2009)


(Uma das vistas do alto do monumento Ales Stenar, Kåseberga, 2009)

(Atrás dos campos de trigo o Castelo Glimmigehus, construído em 1499, Simrishamns, 2009)



26 junho 2009

Análises neuróticas 2? : Natal Escandinavo no Brasil

("Mulher negra sentada com criança branca", Foto do Acervo de The Randolph Linsly Simpson Collection, Yale University) 

Foi em dezembro do ano passado, de férias no Brasil, que acabei indo parar em quase todos os shopping center de São Paulo. 

Estou longe de ser alguém amante de compras e de lugares fechados assim, sobretudo no verão e nas férias, mas infelizmente, durante os dias da semana, as opções de lazer ficavam restritas a isso. Tentei de tudo: piscinas, parques públicos, SESC (sem nenhuma exposição, porque era época de férias), nada. Num desses passeios fui parar no Shopping Iguatemi, famoso pelas suas exposições de Natal, com bonecos que se movimentam, música e todo um clima de Natal.

Pensei que poderia ser divertido tem um monte de bonecos para Ângelo ver fui me achegando à praça onde estavam os bonecos todos e muita gente ali fotografando, admirando o cenário. 

A montagem remetia ao Natal num lugar frio. Os bonecos e suas roupas me faziam concluir que se tratava, obviamente, da terra do Papai Noel, terra onde, vocês sabem, fica no mesmo país onde eu moro. 

A Suécia é longa, muito longa e dela faz parte a Lapônia. Foi lá que Santa Klaus, um velhinho loiro, muito loiro, de olhos azuis e barba longa ficou famoso por espalhar presentes para a criançada pobre na noite do dia 25 de dezembro. 

E lá estava ele, o bom velhinho, no Shopping Iguatemi, acompanhado de sua senhora e de seus prováveis netinhos. Todos loiros e lindos. Bonecos perfeitos, com seus olhos imensos azuis, estavam sobre a cena principal da casa maior. Eles me pareceram ser os "donos" do lugar. A Mamãe Noel, ao lado de seu esposo, ficava bem pomposa em frente sua casa, mexendo-se conforme tocava a música.



(Povo Sami, típico da Lapônia, in: Cosas de Viajes)

Um trenzinho passava de cá pra lá, de lá pra cá e o pessoal que visitava o shopping ia se aproximando e mostrando aos filhos a cena bonita.

Fui rodando o palco e procurando outros bonecos para mostrar para meu Ângelo quando notei que lá atrás das casas haviam outras bonecas altas e bonitas. Entretanto, elas não estavam pomposas, de peito aberto e cabeça erguida olhando e recebendo as visitas que por ali chegavam. Estavam por trás das casas e, se me lembro bem, duas delas estavam abaixadas, fazendo algo como limpando ou arrumando umas coisas que estavam no chão. Não lembro se era lenha, ou o que, mas sei bem que elas estavam trabalhando na casinha da Mamãe e do Papai Noel.

Tudo seria lindo e maravilhoso, digno de nota dez na decoração se, e somente se, as senhorinhas arrumadeiras não tivessem um detalhe diferente das senhoras que posavam em frente à casa: elas eram as únicas negras. E não havia senhorinhas negras na frente da casa, só escondidas no fundo e só fazendo algo, "laborando". Elas eram claramente, sem sombra de dúvida, as empregadas e não as patroas. 


(Estratégias de markenting: o ator Lázaro Ramos foi convidado a estrelar campanha publicitária do Iguatemi na Bahia, onde, ao contrário do Iguatemi em São Paulo, não há tanto "problema" em ser Papai Noel Negro) 

Meu sangue ferveu por uns segundos e tentei pensar que era apenas mais uma de minhas análises neuróticas, mas rodei de novo para ter certeza. Sim. A decoração do shopping de elite brasileira tinha concebido uma decoração de Natal, baseado na história do Natal Escandinavo, que reproduzia uma cena de preconceito e opressão brasileira.

Muito curioso que mesmo que pensarmos que alguém como o Santa Klaus, velhinho tão ocupadinho coitadinho e que talvez pague direitinho seus empregadinhos, que bonitinho! precisa mesmo de gente para ajudá-lo nesses dias. O que me incomodou foi que não haveria problema se houvesse coerência. O Santa Klaus e os seus foram reproduzidos com tanta elegância e precisão com seu narizinho pontiagudo, bem característicos do povo do norte da Escandinávia, ao contrário, os empregados (se é que os lapões têm empregados) não. Coerentemente eles também deveriam ser loirinhos. Sim, porque por aqui ou as pessoas não tem empregados (o que acontece com quase todo mundo, já que pagar o empregado sai bem caro porque todo mundo ganha mais ou menos a mesma coisa) ou o empregado é sueco mesmo. Ou ele é imigrante europeu, como polonês, russo etc (que também é alto, loiro de olho azul) ou do Oriente,  nos dias atuais. Raramente, mas muito raramente eles são negros, a não ser que eu realmente só faça análises superficiais do que vejo aqui.

E, então, você pode me perguntar qual o problema de ter uma mulher negra ajudando na casa de bonecos do Papai Noel? E os organizadores da decoração podem muito bem usar do argumento politicamente correto de que a cena não era composta apenas por brancos. Nossa! que incrível! E não eram mesmo! Aliás, seria muito mais original se o fosse!

O problema é que todas as babás - e ali comigo havia algumas dezenas delas - que estavam ali cuidando dos filhos das suas patroas, eram da mesma cor que a senhorinha lá atrás da casa. E o salário delas, naquele shopping, onde brincavam e cuidavam das crianças das suas patroas brancas, não dava para comprar um vestido pra ceia com a família. E também não comprava o presente dos filhos. E muitas das patroas estavam por ali mesmo, tricotando com as mães ou amigas, comprando, mas podiam se dar ao luxo de ter as senhorinhas negras cuidando de seus filhos por muito pouco.


(Black and White, in: Poética em Português)  

O detalhe, pequenino, que a gente não se apercebe, com o qual a gente se acostumou tanto a olhar reflete o que no fundo pensamos e aceitamos: 

- que é natural ter empregados que nos sirvam desde que a gente seja justo pagando os salário que o governo nos mande pagar, ainda que seja muito menos do que eles mereçam ganhar.
- que não há problema que eu ganhe mais, ou muito mais que eles, porque isso é justo, já que eu trabalhei, ou estudei mais, ou minha família tenha nome que justifique isso.
- que não é nada demais que a maior parte dos empregados domésticos, ganhadores de salários mínimos, sejam negros, mulatos ou quase todos "pretos, ou quase brancos", como cantava Caetano Veloso, porque essa é a relidade brasileira.
- que o mundo desigual é produto de algo do passado, é culpa dos portugueses malandros que dominaram os índios e fizeram escravos os negros e não culpa ou responsabilidade minha.
- que a desigualdade e o preconceito mascarado, mas tão bem aceito e justificado, que uma montagem de Natal num dos lugares mais visitados de São Paulo não passe por nenum constrangimento, nem seja questionado pelos milhares que a visitam. 

E então eu me retirei. E não tive vontade de voltar. E fui com um nó na garganta olhando para as babás escuras com bebês branquinhos que estavam ali. Olhei para o desânimo da maior parte delas e para seu olhar parado no chão e pensei que se mais análises neuróticas fossem feitas tantas coisas no Brasil seriam tão diferentes. E se ninguém me dissesse: é assim, você precisa aceitar, mas quisesse conversar, discutir, ir além, me questionar e me dar argumentos diferentes talvez eu até desistisse de ser tão tão dramática. O problema é que fazer análises neuróticas é preciso se temos intenção de que algum dia a miséria, a educação, o medo, a violência sejam diferentes. Não há mudança sem perda e o problema é que tem gente demais que não quer perder nada.


...

Esse post foi inspirado pela animada discussão sobre um comercial de TV da Ford que a Lola discutiu em seu blog esses dias. A troca de comentários com outros leitores de lá e o texto da amiga Lilás me fizeram voltar a esse post esquecido na minha memória, aqui.

25 junho 2009

Diálogos inesquecíveis com Ângelo, introdução

(Ângelo comendo todo o chantilly do bolo na festa do amigo Iven, Malmö, junho de 2009)

Em tantos momentos desses dois anos de vida do Ângelo eu me peguei pensando em tudo que ainda vou sentir saudade um dia.

Eu sei disso. Tenho absoluta certeza do quanto desejarei ter suas mãozinhas nas minhas, sentir seu cheirinho quando me abraça e ouvir de novo sua voz pequena e carinhosa. De sua risada, então, eu vou morrer de saudade!

De tantas coisas que vivemos até agora, uma das que me deixa mais bá! babando mesmo, rindo sozinha e pensando: "como ele pode?, só tem dois anos!" é o jeito que ele vem aprendendo a falar. 

Como começou a falar bem cedo (desde os dez meses falava mámma, não), ele aprendeu rapidinho a juntar muitas palavras no português e também do sueco. De vez em quando faz um mix total dos dois e a gente morre de rir, apesar de eu tentar forçá-lo a se comunicar só em português comigo.


(As mil caras do Dr. Ângelo, festa do Iven, Malmö, junho de 2009)

Essa saudade desses momentos e daqueles que ainda estão por vir me fez pensar que escrever alguns desses diálogos me ajudaria a manter na "memória", me ajudaria a salvar essa parte que me parece que um dia se perderá. Tudo que vivemos até agora, que vivemos nessa Suécia, as pessoas que conhecemos e com quem vivemos, os outros apês e esse lugar em frente ao mar, os dias de verão e os de inverno, em que rolamos juntos na cama de manhã, não serão lembrados conscientemente por ele. Eu já tenho saudade do futuro...

Então espero criar essa sessãozinha, com posts curtinhos, sobre esses diálogos... e poder contar parece um jeito de que algo que seja tão importante pra mim não passe sem ser notado... Que a vida e o jeito que esse menininho cresce e o quanto eu amo cada coisinha que acontece com ele não se perca nos anos.

"Todas as músicas do mundo"

(Meu all-star relaxando total no findi, junto ao monumento Ales Sterna, Kåseberga, junho 2009)

Hoje de manhã, quando acordei e fui fazer meu ritual de ligar o micro e pôr uma música pro café, vi uma mensagem naquele meu super programa, o Spotify.

Como tenho leseira pra tudo de computador, fiquei assustada com medo de poder ter perdido o acesso ao Spotify. Era besteira. Tenho ainda acesso ao mundo todo, ou quase todo, da música.
O que pode parecer exagero na verdade não é. Minha vida mudou com o acesso a esse programa. Sempre ouvi música. Sempre combinei os momentos do dia, do fim de semana com as músicas que sentia eram mais apropriadas, mas depois desse Spotify tudo parece ainda mais ao meu alcance.

Pra terem uma idéia, assim que acabei de assistir "Benjamin Buton", cliquei e pude ouvir toda a trilha sonora. Fan-tás-ti-co! 

Acho que poder ouvir música boa, selecionar aquelas que a gente sempre amou, na mesma horinha assim, faz a gente se sentir meio leve, meio de férias, faz a gente extravazar rápido qualquer sentimento, faz a alma ir além...

E para quem quiser saber mais sobre esse programa sueco incrível ou dúvida de tudo que tô falando e quer conferir, visite a querida Ju Moreira, que escreveu um super post informativo a respeito deles e dos seus criadores no texto "Todas as músicas do mundo: Spotify"

24 junho 2009

O que é uma festa senão sua trilha sonora?



"Vem dançar Mambolê, tananan!",
Daníssima e Liana ao som do Trio Los Angeles


Nossa festa de Midsomer foi sensacional.
Fomos abençoados com um dia lindo, como eu já disse antes, e também com amigos valiosos. 
Como essa festa é celebrada quase sempre entre a família mais próxima, juntamos os "sem família" e fizemos a nossa festa super mega tradicional sueca. 

Início com comilança, canções e bebidinhas suecas na mesa. Comportadíssimos. 
A parte tradicional, bem como a decoração, estavam de fazer inveja! Bu-ni-tu!

Mas como bons brasileiros que muitos que estavam lá eram foi impossível ficar só no engraçado "uácuácuá" da canção Små Grodorna. Eu queria falar mais, mas talvez as fotos, sobretudo a trilha sonora digam muito mais. 

Acho que a música que fomos selecionando na hora diz quase tudo sobre a festa, entrega a idade do pessoal e do Dj e diz muito sobre o que vivemos e quem fomos no Brasil.

Ela também uniu os brasileiros da festa aos alemães e suecos com quem dividimos a trilha internacional. Nem eles se contiveram e soltaram todas as frangas. E o ABBA, Queen, Gretchen, Sidney Magal e outros tantos também fizeram pular e cantarolar a criançada.

A música foi que fez nosso Midsomer e ele foi mais no estilo brasileiro sueco que o contrário, como era difícil de não ser.

Aqui vai o resumo da ópera e toda a trilha para quem quiser dançar e festejar junto. É só dar um clique no nome dos cantores.

E viva o verão!



"Pãpãrãrãpãrãrãpãpã... 
Ângela (virtualmente decaptada) e Somnia ao som de Rocky Balboa



"Chooorando se foi quem um dia só me fez chorar...", 
Renato e Sônia ao som do Kaoma



"Dançando lambada hey!", 
Nikol e Nik ao som de outro sucesso de Kaoma


"Uácácá uácácá uácácá cá!..", 
Molerada ao som da tradicional canção "Små grodorna"


"You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen..." 
Iven, Ângelo e Nikol ao som do ABBA

"ÓÓÓlha que isso aqui tá muito bom, isso aqui tá bom demais!",
Flávia e Nikol ao som de Dominguinhos


"Hey! Hey! Hey, hey, hey! Macho, macho man!"
Renato, Nik e toda a molerada ao som de Village People


"YMCA, YMCA!!!, 
Gustavo, Helena e Ângelo na continuação do som de Village People


"I want to break free!!!"
Flávia, ângela, Daníssima, Nikol e Somnia ao som do Queen




"Um abajur cor de carne, um lençol azul..." 
E para terminar a noite, a festa e o Midsomer:
Menina Veneno com o ex-ídolo da molerada, Ritchie.

21 junho 2009

Midsommer com muitos morangos, amigos e Malena Ernman

(A vendedora de morangos suecos, Somnia no Midsommer, Malmö, 2009)

Estamos saindo para um passeio pelo sul da Suécia. Vamos levar a amiga Daníssima para conhecer as bandas de lá.

Passei para dizer que o nosso Midsommer foi delicioso com tudo de bom que tínhamos direito: sol, céu azul, uma chuva rápida, amigos cantarolantes, comida e bebida boa, música animada e muita dança.

Nisso tudo até mesmo algo inesperado aconteceu: elinha mesma, a minha querida amiga, a admirável representante da Suécia no Eurvovision, Malena Ernman, veio celebrar com a gente.

Abaixo vocês podem conferir a festa e a cantoria com Malena. O meu Renato fez um mix da Malena no Eurovision com Malena na nossa festa para que você que não a conhece possa saber como foi a participação dela lá e aqui.




(Vídeo: Malena Ernman no Midsommer da Somnia, em Malmö)

Volto para contar mais e postar fotos dessa típica festa sueca, porque Midsommer é pura cultura!

Beijos e um domingo com cheiro e gosto do doce e suculento morango sueco para vocês!


18 junho 2009

Nossos blogs, seus títulos e o ibope


Eu sempre penso e repenso no nome do meu blog toda santa vez que alguém me pede para anotá-lo ou me pede o endereço.

Já pensei e repensei se deveria trocá-lo e por um tempo pensei mesmo em criar outro blog só para criar algo mais significativo, mais curto, daqueles que se fala tudo em uma ou duas palavras.

Minhas idéias não estavam baseadas em opiniões alheias não, baseavam-se na minha mesma. Eu sou e sempre fui o tipo que se importa muito com a apresentação. E a embalagem dos produtos - por mais idiota que eu saiba que isso seja - tem um impacto fortíssimo sobre minhas escolhas. 

Eu tento ler as informações todas e comparar preços, mas o desejo de comprar, por exemplo, um vidro de shampoo bonito, mais colorido e cheio de frescurinha é muito maior do que comprar um vidrão sem graça, só com o nome escrito nele. 

Penso nas embalagens aqui na Suécia toda vez que olho para elas. Embalagens de supermercados aqui são muito práticas e sem graça, se olhar pelo meu prisma. Um vidrão de leite vem nas mesmas caixas onde se compram sucos, yogurtes e muito mais. Não tem tanto apelo visual e talvez isso até seja algo bom... mas eu reparo.

Reparo na distribuição de móveis de uma casa onde vou, reparo nas cores dos quadros, cortinas, flores e tudo mais. Não reparo para falar mal, o que seja, reparo porque sempre fico tão interessada nisso tudo. Cada casa é um mundinho, cada apresentação me fala um pouco de quem ali vive.

É isso que acho que os blogs também são. São a cara ou tentam ser a cara dos donos. Ou, ao menos, eles tentam passar uma idéia do que os donos deles gostariam que as pessoas pensassem deles.

Eu queria ter um blog com um nome que mostrasse mais quem sou, mas eu não tenho não. Aprendi a amar o "Borboleta Pequenina Somniando na Suécia", mas é um nome muito "frozinha" para dizer quem sou. Ainda assim, não nego que seja parte de mim. O colorido template que escolhi, o nome e os posts são um pouco da Somnia. 

Por outro lado, dizem pouco. Se eu pudesse mudar templates diariamente eu mudaria. Tem dias que estou sóbria ou ácida. Tem dias que estou deslumbrette e Polyana. Tem dias que eu penso que nunca, jamais entraria num blog chamado "Borboleta Pequenina" porque eu faço idéias boas ou péssimas a partir dos títulos dos blogs. Eu raramente entro em blogs cujo título me passam idéia de gente paradinha no tempo ou de gente radical demais ou revoltada demais. 

Depende do dia até pode me conquistar, mas a verdade é que sou preconceituosa com títulos de blogs, como sou com títulos de livros. Se for florzinha demais eu fico: putz que preguiça! Se for radical demais penso: de gente que só reclama já basta eu mesma!

E assim vai...

A verdade é que há dois anos, grávida de oito meses do Ângelo, tendo acabado de se mudar para a misteriosa Suécia eu ainda não fazia idéia do que era um blog. Meu Renato me estimulou a criar um, logo depois de eu terminar de escrever minha tese... E como ele sabia de minha vontade de escrever e de como eu queria trocar experiência, ele foi criando para mim e dizendo: "escolhe um nome!", "hãã???", perguntei... "Não sei! é difícil!". E ele todo marqueiteiro me sugeriu crie um nome longo que é mais fácil de pegar no google. "Hããã??"

E foi assim. Borboleta veio da tela que eu tinha em minha frente. Era um auto-retrato meu grávida com asas. Nunca terminei a tela, mas ela me inspirou o blog. E o pequenina veio porque meu sentimento naquele momento era mesmo de sentir-se pequena em tantas novas descobertas e experiências. Somniando foi um verbo inventado a partir do meu próprio codinome Somnia (do latim, sonho, apelido que ganhei na faculdade) e na Suécia já sabem, sugestão do marido entendido em google. 

É assim. Tenho amor pelo meu "Borboleta", tenho amor porque foi com esse título que conheci gente tão legal, carinhosa como vocês que por aqui passam sempre. Foi por ele que conheci outros blogs e aprendi muito, foi com ele que consegui me comunicar melhor no mundo virtual e descobrir outros canais de informação e formação no meu mundo. Entretanto, tenho consciência de que como blog ele deixa de atrair leitores. Deixa porque restringe muito, deixa porque provavelmente nem todo mundo é como vocês que vem conferir o conteúdo. 

Fiquei pensando se sou a única que mudaria o nome do próprio blog, ainda que não mudasse, de fato, o nome do próprio blog. Fiquei pensando o que vocês acham do próprio blog e como foi a história da criação dos nomes. Alguns eu já sei, outros não, mas a gente até que podia dividir isso aqui.

Beijos da Borboleta!

17 junho 2009

Quais os melhores posts do concurso de blogs da Lola?

(Banner do blog de Lola Aronovich)


Em um dos blogs mais interessantes, inteligentes e divertidos que conheci este ano escreve a Lola. No "Escreva Lola Escreva", a autora, que escreve num ritmo frenético de um (ou mais) post por dia, faz mais do que escrever. A Lola questiona, faz pensar e reflete sobre quaisquer temas que a interesse, desde cinema - seu tema preferido - até defesa do feminismo e qualquer bandeira que seja contra prejuízos. 

A Lola é desbocada, fala o que pensa e fala de um jeito engraçado e o mais incrível (coisa que eu adoraria ter a fórmula!) consegue ter quase 1000 visitas por dia. Seus leitores são fiéis e Lola consegue uma participação fantástica deles. Como se não bastasse, a jornalista, doutoranda, esposa, graduanda de novo por obrigação, que é blogueira nas horas não muito vagas, ainda tem energia para responder com atenção as dezenas de comentários diárias que ela recebe por cada post. 

Bom, como gente maloca assim não consegue ficar paradinho nem um pouco que seja, a Lola inventou um concurso bem bolado dos melhores posts de blogueiras brasileiras, depois que um concurso chinfrim, além de acabar premiando apenas homens blogueiros, reservou apenas prêmio de blogueira gostosa...

Assim escreve Lola: 

Lembra daquele famigerado concurso que premiava várias áreas (quase todas ocupadas apenas por blogs de homens) e destava uma categoria para a blogueira mais gata, gostosa, sexy, sei lá? Então. Eu e muitas blogueiras ficamos revoltadas. Não porque não fomos indicadas. Sei que é difícil acreditar, mas nem todas as mulheres do mundo sonham em participar de concursos de beleza. É incrível, eu sei, praticamente uma falha na nossa formação, mas há pessoas portadoras de vaginas que querem ser lidas e ouvidas pelo que têm a dizer, e não admiradas pelo seu teor decorativo. Tipo assim, há mulheres que querem ser tratadas como homens. Ó heresia! Mulher que quer ser tratada como homem? E a nossa femininidade, como é que fica? Ué, fica igual. Sermos tratadas com o respeito que merecemos não nos masculiniza. Só torna a pessoa que nos trata com respeito mais humana.

Eu tenho um post meu concorrendo nessa primeira leva. "O primeiro vôo do Anjo" foi um post que escrevi depois que deixei o Ângelo pela primeira vez sozinho na escolinha, há um ano. Então convido vocês a lerem esse post meu, caso não tenham lido na época, convido também a irem lá no espaço da Lola e lerem os outros posts super bons de outras blogueiras e convido todos vocês a votarem em mim, claro!. Brincadeiriiiinha!!! mas se gostarem do meu mais do que qualquer outro, o que não é fácil, pode votar que eu gosto! 

Convido vocês, ainda, a indicarem posts de blogs que leram e acharam muito bons ou a sugerirem posts de vocês mesmas que gostariam que fossem lembrados. 

Como móleres formosas que são, inteligentes, donas de blogs e portadoras de vaginas vocês podem e devem mostrar a que vieram!, creio que diria a própria Lola se estivesse falando aqui.

"Entre as coisas mais lindas"

(Campo de Papoulas, Foto: Isolano, Poesia e Fotografia)


O tempo por aqui anda assim: dia com sol lindo, céu azul, misturado com pouco ou muito vento, ou, de vez em quando, um calorzinho. Ainda não chegou o verão mesmo e, segundo leitura do Renato num dos jornais daqui, foi o início de verão mais frio dos últimos cinquenta anos. 

O nosso feriado de Midsommer, na sexta-feira, vai ser cheio de amigos em casa, com festa tradicional sueca organizada por amigas brasileiras e suequinhas, com direito à visita da querida companheira de universidade e minha "cumadi", Daníssima, que vive lá nas Suíças. 

Eu tenho lido todos os comentários de vocês e eles sempre me fazem muito bem, mas andei canalizando energia numas pinturas e artes por aqui. E como o blog é criação, se canalizo em uma, acabo não canalizando em outra. Às vezes consigo criar lá e aqui, mas com tentativa de pegar o dia bom, não rola. 

A verdade é que penso em posts e em conversas com vocês todos os dias. Penso nos comentários, leio os blogs de vocês e tenho idéias que não páram de pulular na cabeça, mas eu não dou conta mesmo. Preciso ir lá e cá, cá e lá... E acabo deixando passar vários posts que queria escrever e compartilhar, mas viver, além de escrever, é preciso!

As tardes tem sido sempre de rolar nos campos de futebol aqui em frente, empurrar Ângelo na bicicleta, ficar fora, sentir a luz invadir o corpo...

Ontem, estava em busca de trabalho como "Praktikant" (tipo um estágio que a gente faz quando está estudando sueco) nuns musesus na linda cidadezinha vizinha, Lund, e acabei fotografando muito (fotografei e não consigo achar no celular, por isso colei imagem de outro blog acima) tentando tomar material para pintar também. Passei entre muitas flores do Jardim Botânico, passei pelo lindo e calmo cemitério que fica colado a ele e fiquei pensando em como o contato com a natureza deixa a gente em estado de graça. 

Todas as vezes que posso respirar o ar puro das árvores e ver a cor das flores da Primavera eu me sinto assim... O curioso é que eu nunca havia me sentido assim com respeito às estações antes. Minha explicação é mais ou menos a que os suecos dão a esse sentimento quase explosivo dentro de nós: o fato de passarmos por 6 meses de inverno, falta de luz etc faz com que a gente receba a Primavera, o sol e o calor como se recebesse uma benção mesmo. É por isso que tantos deles ficam parados em pontos de ônibus, na rua, nos cafés com o corpo em direção ao sol, quase que bebendo sua energia. 

Parece exagero, mas é assim... Claro que eu também vivia em estado de graça toda manhã que, no Brasil, abria as janelas de minha adorável casinha. E claro que não é preciso não ter o sol para saber apreciá-lo e agradecê-lo... mas só sei dizer que é mais intenso. É um misto de alegria já com o sentimento de perda que virá. Estranho né? 

E, lá, no meio das flores do Botânico de Lund eu lembrei da Sandra, a amiga dos meus amigos, a colega alegre brasileira. Lembrei quando olhei as lápides dos túmulos com tentativas de resumo de quem haviam sido aquelas pessoas amadas. Em um lia-se "dentista", na outra "o honorável professor", em outra que a família havia nascido na cidade tal... E fiquei pensando como será que cada um de nós gostaria de ser lembrado um dia. Imagina se você foi o dentista fulano de tal, mas sempre foi infeliz nisso, melhor que escolhessem outro epitáfio. É claro que se o fulano havia sido um cara realizado, cheio de amor ao que fazia, dedicado e adorado pelos pacientes até que daria para pensar... mas a gente é tanta coisa, tanta, que tentar resumir na profissão é tão ingênuo. É realmente tão pouco.

Ainda assim eu achei bonito. E também ver todo mundo repousando em meio a tantas árvores e flores dá uma sensação tranquila. 

Bom, coincidiu de chegar em casa e ter recebido de minha cunhada um email com o vídeo da homenagem que os amigos do SBT fizeram à Sandra, a amiga de quem não tiveram tempo de se despedir. E achei legal compartilhar já que tantos de vocês se fizeram solidários e já que palavras são sempre muito pouco, melhor que a pessoa fale por si mesmo... Infelizmente minha "esperteza" para internet não me permite saber adicionar os vídeos no blog, então cliquem abaixo para poderem visualizar as imagens. 



("Adeus, Goodbye, Foto de Mário Pinho)



Saudades de vocês! 

Beijos, ótimo dia para vocês! E que a gente se sinta cada dia mais em estado de graça, ainda que sem as cores da Primavera e sem a presença de quem um dia amamos.


12 junho 2009

São os ventos de junho...

("Ventania", Anita Malfatti, 1915-16)


A manhã de hoje aqui em Malmö está assim: 

- 11 graus no termômetro
- céu e mar cinza
- chuva fina com
- vento de 64 km por hora.

Enquanto ainda é noite em São Paulo e faz:

- 15 graus 
- chuva fina, mas
- vento 4 km por hora.

A ironia é que estamos no verão, às vésperas do feriado do Midsommer, o dia mais longo do ano, e outra ironia é que depois disso os dias já começarão a se encurtar novamente.

Vocês ainda acham que existe inverno no Brasil? :)
 

Há uma semana estávamos todos curtindo o dia assim, na praia, embora eles tenham sido bem poucos se comparado com os do ano passado...


(Foto de Christer Berg, fonte: The Local)


Desde então, tem sido uma alternância entre dias com céu azul e sol com outros de chuva e ventania...


(Foto de Bertil Ericson, Fonte: The Local)

Eu espero que não sejam os ventos de junho querendo fechar o verão que nem começou...
E eu acho melhor que vocês possam curtir um inverninho aí e a gente um verãozinho aqui, porque esses sinais não são nada nada bons...

11 junho 2009

"Todos juntos somos fortes"



Nossos amigos se foram. Voltaram ao ninho pequeno e quentinho em Londres, onde cuidam um do outro. O reencontro e o tempo juntos foi novamente inspirador e cheio de aprendizado, mas o tempo e a vida não pára.

Enquanto estávamos aqui felizes, alguns amigos no Brasil estavam chorando a perda da amiga Sandra. 

A Sandra (de sobrenome Conti) era editora de imagem do “Super Nanny” e do “10 Anos mais Jovem”, ambos programas do SBT, onde trabalha mais um tanto de gente amiga que eu gosto muito. Recebi a notícia na terça a noite, por um email de minha cunhada Dri, uma de suas melhores amigas, e fiquei como a gente fica assim passado, sem chão, quase sem piscar o olho, desacelerando o coração. 

Em alguns anos que conheci essa grande amiga dos meus amigos eu só lembro da Sandra sorrindo. Lembro-me de seu abraço apertado nas poucas vezes em que me encontrei com ela nos últimos três anos. Lembro-me de sua animação por me ver, por ver o Ângelo que ela adorava e era fã por osmose. Lembro-me dela dizendo: "precisamos nos encontrar mais!".
Por sorte nos encontramos todos num bar antes de voltarmos para cá, em fevereiro passado, e lá estava a Sandra brindando uma caipirinha. Lá estava ela com sua voz rouca bonita, com seu cabelo amassadinho, com suas mãos carinhosas a apertar todo mundo. 

Estou longe e não posso abraçar meus amigos que estão aí tão tristes, nem minha cunhada, nem consolá-los por tamanha perda... Só consigo dizer que se não é possível parar o trem da vida, ao menos que nos lembremos dos dias felizes. Que fique em nós não o que poderia ter sido, mas a lembrança do pouco que conseguimos partilhar. Que fique o sorriso, não o choro. Que fique o abraço e a alegria de viver, porque era essa alegria que eu sempre vi na amiga de vocês e na minha "amiga por osmose". E que nos consolemos uns aos outros, sem medo de partilhar a dor e sem medo do para sempre, porque eu tenho certeza que a Sandra vive na jovem filha Clara, vive na mãe já senhora, nas irmãs, em cada um de vocês que a amavam. A Sandra vive em mim, porque por mais ôca que seja a dor de perder alguém, eu ainda não acredito na morte. Acredito que sejamos mais que um sopro de vida, acredito na vida que permanece.

...


(Bambis juntinhos fugindo da chuva, Skåne Djurpark, Höör, junho de 2009)


Estivemos no zoológico o dia todo na terça-feira e durante uma chuvinha todos os bambis do bosque se juntaram apertadinhos debaixo da única árvore que havia no pedaço deles. E, olhando pra eles, sem imaginar o que se passava no Brasil, eu pensava em como é necessário que a gente não busque fugir da chuva sozinho, porque sozinhos a tempestade parece mais assustadora e não há como se aquecer. Aqueles bambis todos juntos debaixo da chuva me pareceu uma cena de irmandade que eu não vou nunca esquecer. 

Abaixo a letra de "Todos juntos", da peça Saltimbancos, que eu cantei minha vida toda e nos últimos tempos venho cantando com Ângelo.



Uma gata, o que é que tem?
- As unhas
E a galinha, o que é que tem?
- O bico
Dito assim, parece até ridículo
Um bichinho se assanhar
E o jumento, o que é que tem?
- As patas
E o cachorro, o que é que tem?
- Os dentes
Ponha tudo junto e de repente vamos ver o que é que dá

Junte um bico com dez unhas
Quatro patas, trinta dentes
E o valente dos valentes
Ainda vai te respeitar

Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer

Uma gata, o que é que é?
- Esperta
E o jumento, o que é que é?
- Paciente
Não é grande coisa realmente
Prum bichinho se assanhar
E o cachorro, o que é que é?
- Leal
E a galinha, o que é que é?
- Teimosa
Não parece mesmo grande coisa
Vamos ver no que é que dá

Esperteza, Paciência
Lealdade, Teimosia
E mais dia menos dia
A lei da selva vai mudar

Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer

E no mundo dizem que são tantos
Saltimbancos como somos nós.

Composição: Enriquez - Bardotti - Chico Buarque

06 junho 2009

"Amigo é coisa pra se guardar"

(Théo e Ângelo na Praça Gustav Adolf, hoje, animados que só, Malmö, junho de 2009)

Amigo é bom demais e quando os filhos da gente se dão bem com os deles então é melhor ainda.


(Théo e toda a passarada da primabera. A foto é minha e adorei!  Malmö, junho de 2009)

Estamos com a visita dos amigos Lujan, Ted e Théo, que vieram de Londres, e tentando aproveitar cada solzinho para passear. Eu conheci a Lujan no primeiro cursinho onde dei aula, lá em Campinas, há 11 anos, O antigo Cursinho DCE-Unicamp. 

(Ângelo que agora já é um moço e posa pra foto, Malmö, junho de 2009)

Fizemos comilança das boas no centro de Malmö, onde está acontecendo uma feirinha internacional de comida (das boas, bem diferente do Malmö Festival). Com isso, estou sem muito tempo para responder os comentaraços que vocês mandaram e sem tempo para escrever os posts prometidos, mas...


(Com as cores da Primavera não tem dia de sol que não seja lindíssimo e alegre, Malmö, junho de 2009)


("Paaatoooo!, vem qui!", Ângelo e Théo "enchuriçando os patos da praça, Malmö, 2009)

É assim... com amigo por perto a gente precisa correr para tentar recuperar o tempo perdido, ainda mais quando os encontros acontecem de seis em seis meses ou mais...

Ótimo domingo!

04 junho 2009

Na praia seu voto vai para a cerveja ou para o topless?

(Turma brasileira fazendo piquenique a la brasileira na praia sueca: salgadinho com cerveja, Malmö, maio de 2009)


O fim de semana foi de calorzão aqui. Na casa quase dos trinta graus os suecos e todo povo que mora pelas bandas pousou na praia. 

Como nós estamos mais "sueco" que qualquer um, fomos de mala e cuia, a mala cheia de tudo quanto é comida e bebidinha pro piquenique e a cuia cheia de breguetinhos para a molecada. 

Guarda sol enfiado na areia, uns tapetões especiais típicos daqui para se estender na areia, carrinho de criança, baldinho, pazinha, tudinho que se tem direito para farofar de azul e amarelo. 

Eu e minha pequena família com os paulistas Xu, Gus, Liana, Thiago e a pequena Giovana. 

Na festança toda surge uma quase polêmica de beira de praia: na Suécia é proibido levar e tomar cerveja na praia, razão pela qual não há esses quiosquinhos que a gente tem aí cheios de bebida alcoólica para comprar. É proibido beber, coisa que a gente no Brasil faz adoidado, mas é permitido fazer topless, coisa que, no Brasil, já não é visto (no sentido literal também) como algo tão natural assim.


(Ângelo se divertindo adoidado na praia no verão passado e lá atrás dele, topless, Lomma, 2008)

Algumas mocinhas estavam ali livres, leves e soltas de forma naturalíssima que pareciam até homens. Do mesmo jeito, algumas famílias chegavam e trocavam sua roupa ali mesmo na praia, na frente do resto do povo todo. Uma toalhinha discreta e vlupt! tira cueca e põe o calção ou vice-versa. Algumas pessoas não se preocupam em esconder nada. Elas tiram, como tirariam em sua casa, o sutião e ou a calcinha e põe o biquini... O mesmo acontece com as crianças, se bem que a maior parte fica mesmo é peladinha. Total. E assim rola a praia... Isso porque, além de ficar nu ser algo realmente visto como natural na cultura sueca, bem como em muitas outras européias, a lei sueca permite que as mulheres façam topless. 

A discussão filósofica a respeito de por que tomar cerveja não pode, mas ficar pelado pode rondou nosso guarda-sol e ficamos lá a elocubrar, quando uma mocinha sueca passou e disse pro amigo Gus algo do tipo: "Não sabe que é proibido tomar cerveja na praia?". Daí nossa elocubração pegou fogo...

E então que fiquei curiosa como os brasileiros, em geral, veem essa diferença. Como você acha que reagiria se tivesse na mesma cena da foto aí acima: atrás do Angelinho, numa foto de um ano atrás, há um grupo de amigos e amigas e uma loirona com os seus belos peitos de fora.Tão natural como se tivesse de biquini. 

Eu não quero continuar o post agora, porque gostaria antes de saber a opinião de vocês: você apoia a cerveja ou o topless na praia? Qual "regra" faz mais sentido na sua opinião? 

...

ps: o post dos sapatos ainda será concluído e também responderei os comentários dos dois anteriores a noite, ok? beijocas!

03 junho 2009

Um choro que não se chora só

("O aniversário", Marc Chagall, 1915)

Eu fiquei sabendo do acidente com o vôo da Airfrance pelo blog da Lúcia, uma querida "amiga" virtual. E, então, eu e Renato vimos algo no noticiário da TV sueca e fomos ler sobre a tragédia no site da Folha

Sim. Uma tristeza tamanha que todas aquelas famílias brasileiras e não brasileiras devem estar passando. Creio que seja uma tristeza impossível de se imaginar, embora tentemos, de certa forma, participar.

Eu não sou de ficar fuçando nos noticiários brasileiros, sobretudo os trágicos, mas ontem fui encontrando colegas e amigas brasileiras e algumas estrangeiras e todas elas se diziam abatidas e sentidas com o acontecimento. 

O fato da gente morar fora e viajar com mais frequência nesses mesmos vôos, ou o fato de termos família, que nos visita de vez em quando, ou amigos em tantos lugares diferentes, provavelmente colabore para que esse sentimento de medo, ou tristeza e ansiedade tenha um impacto diferente, embora não menos profundo do que em qualquer outro que veja a notícia.

Eu também fiquei muito sentida pelas famílias. Muito mesmo. No entanto, eu estaria exagerando ou mentindo se dissesse que isso me abala de uma forma que sinto medo de viajar, medo de pensar em alguém querido tomando um avião e me visitando etc. Eu não tenho. A verdade é que eu sempre pensei e sempre penso na possibilidade de tragédias assim acontecerem comigo ou com quem amo. Talvez você também sempre pense. Okey, eu sei que pensar e viver é algo totalmente diferente e eu não consigo sequer imaginar o que é ter que vivenciar um acontecimento horrível assim, mas eu não fico pensando, pensando e preocupada com o que poderá vir.

Eu também não fico curiosa pelos detalhes do caso e nem mesmo voltei aos noticários, porque me deixa louca ver como a imprensa adora explorar acontecimentos trágicos e o sofrimento dos outros, embora eu saiba que algumas informações sejam mesmo necessárias à família etc. Excuso-me ainda de ler porque, para além da tragédia, a verdade é que quando tomo um vôo, qualquer um, mas principalmente os longos, eu sei que há uma probabilidade (ainda que seja pequena) de que meu avião caia. Ou que ele se choque com outro. E que um acidente realmente venha a acontecer, mas eu preciso e prefiro correr o risco. Eu penso isso durante o vôo, mas nunca pensei com medo. Não penso tremendo, nem fico pedindo: "Ai meu Deus me livre disso!". Eu não sei explicar: eu penso apenas que desejo que tudo corra bem, mas ao mesmo tempo eu tenho uma clareza de que eu realmente não tenho garantia de que tudo vá correr bem. Ainda assim não sinto medo.


("Talvez a primavera esteja chegando", Foto-Arte de Sabine, 2eyes)

Quando eu viajava muito pelo Brasil de carro com o Rê e amigos eu também pensava nisso quando saía para viajar e sempre tentava fazer, a minha maneira, uma oração rápida. E talvez seja por isso que muitas pessoas sempre "rezem" pedindo proteção para si mesmos e para os que amam antes de viagens acontecerem. Nós queremos nos sentir mais confortados e seguros para algo que não estejamos preparados. 

Contudo, nós sabemos que viver é estar sentado neste balanço enorme.  Nós vamos e voltamos, rimos lá no alto e descemos com um friozinho na barriga, mas não sabemos até quando. O balanço sempre pára. Ou será preciso parar. E eu creio que o que mais nos deixe assim, tão participativos dessa tristeza, é não só imaginar a falta e o desespero de cada um daqueles que perdeu alguém nesse vôo, mas o fato de que nós sabemos que isso pode acontecer com qualquer um de nós. Ou com qualquer um que amemos. 

O que dá medo é pensar no quão passageira pode ser a felicidade de agora. Dá medo pensar que não há nada, absolutamente nada, nem dinheiro, nem bens, nem amor, nem devoção, nem religião ou crença que nos garanta nos assegure o que pode ser o dia de amanhã. Nós fazemos muitas tentativas, mas, lá no fundo, lá no nosso lado mais humano, nós temos consciência de que não sabemos o que há por trás de tudo. Nós tentamos imaginar e cada qual tem uma teoria na qual se apega e tenta aplicar à vida, tentando fazer dela algo mais "controlável", porém, o futuro é totalmente desconhecido. É um espaço ainda vazio do qual tentamos fazer alguma idéia. Se há sorte e azar, se há acaso ou destino nós realmente não temos como saber. E é exatamente esse não saber nada, o ficar perdido no mistério que é a vida que nos dá uma ansiedade e nos deixa sem chão. 

Talvez alguns não se sintam tristes porque sentem que podem ter fé na força que acredita. Eu não julgo isso. Cada qual escolhe a filosofia de vida que melhor lhe convém. Entretanto eu ainda penso que mesmo essa escolha fundamenta-se sobre o mesmo medo, ainda que não assumido.  

Eu sou humana e também participo dessa angústia vez ou outra. É normal. Entretanto, eu não acho que, após esse trágico acontecimento, nós devamos pensar: "Nossa! eu vou viajar, fulano vai viajar... etc!". Não devemos ter medo. Milhares de vôos acontecem a cada minuto e milhares de carros estão nas estradas, assim como milhares de navios, de gente indo e vindo. É o círculo da vida. A vida não pára e o melhor que nós podemos fazer é estar mais ou menos preparados para as perdas que nós vamos, com certeza, sofrer. Nós podemos não ir viajar nunca e ficar trancadinho em casa e ninguém nos garante que não seremos surpreendidos por uma quadrilha ou por uma tragédia da natureza. 

As perdas podem vir em acontecimentos assim, quase inexplicáveis, como esse dessa semana, ou não. É preciso aceitar que nós não sabemos nada do dia de amanhã, nós até podemos investir nossa energia em preparar um futuro mais calmo e seguro, mas é só um investimento, não quer dizer que vá mesmo acontecer. Talvez por isso eu não entenda quem se mata trabalhando, enfiado num lugar que deteste ou viva sem tempo, paciência e olhos para desfrutar das coisas e das pessoas que ama. 

Esse caso me lembrou a experiência que meus amigos Flávia (Xu-Muié) e Gustavo tiveram na última viagem de férias no Brasil, em dezembro. Com os amigos mais queridos, conhecidos de muitos e muitos anos, eles foram passar alguns dias na praia de São Paulo. E foi numa noite, que deveria ser como qualquer outra, que ouviram um barulho vindo da cozinha. Um dos amigos, um jovem, casado, brincalhão e aparentemente saudável, teve um AVC fulminante. Nem o amor deles todos, nem o despero, nem as tentativas dos médicos o segurou com vida. Meus amigos voltaram da viagem, que deveria só ter sido alegria e encontros animados, totalmente abalados, muito muito tristes e com uma certeza: tudo pode acontecer a qualquer minuto a qualquer um de nós...


(Os amigos apaixonados e cheios de vida Xu e Gus, amantes da filosofia do "carpe diem")

Minha amiga Xu, na época, me disse mais ou menos assim: "eu quero viver intensamente o que eu tenho pra viver agora, porque eu não sei o que me espera"... E o que eu vejo é minha amiga celebrando com imensa alegria o aniversário de seu marido amado e o dia de anos do seu casamento, assim como participa de todas as reuniões, almoços, mudanças, alegrias e tristezas que acontecem com seus amigos e família. Viver com intensidade aquilo que ela tem hoje não vai poupá-la para as grandes perdas da vida, mas vai, com certeza, aliviar a dor quando elas vierem, porque sem culpa de não ter vivido o momento presente, enquanto ele ainda o podia ser feito, ela ao menos vai saber que fez o pouco que estava ao seu alcance fazer.

É assim que eu vejo tudo isso e é por isso que eu não fico preocupada ou triste de um jeito derrrotável: a vida segue seu curso e a morte é parte dela por mais que isso doa em mim ou em qualquer outro.